FAO pede fim de subsídios ao biocombustível

Os governos precisam rever com urgência suas políticas de lavouras para produção de biocombustíveis, segundo um relatório anual da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a FAO.

No documento, a FAO pede que os países ricos cancelem os subsídios para permitir a competição de países mais pobres.

Para a FAO, os biocombustíveis têm "uso limitado" para satisfazer as necessidades energéticas do planeta. Mas, segundo o relatório, o uso de lavouras como as de cana-de-açúcar, milho e sementes oleaginosas para a fabricação de biocombustíveis vai continuar aumentando os preços dos alimentos.

"Os biocombustíveis apresentam oportunidades e riscos. O resultado vai depender do contexto específico dos países e das políticas adotadas", afirmou diretor geral da FAO, Jacques Diouf.

"As políticas atuais tendem a favorecer os produtores em alguns países desenvolvidos, passando por cima dos produtos da maioria dos países em desenvolvimento."
"O desafio é reduzir ou gerenciar os riscos e dividir melhor as oportunidades", acrescentou Diouf.

Produção
A FAO afirmou que a produção de biocombustíveis baseados em produtos agrícolas cobre, atualmente, cerca de 2% do consumo de combustíveis para transporte. Espera-se que o crescimento continue.
A demanda por produtos agrícolas para os biocombustíveis também deve continuar crescendo na próxima década. E esta demanda tem o potencial para trazer verdadeiros benefícios para comunidades rurais em países em desenvolvimento, criando renda e emprego, segundo a FAO.

Mas estas oportunidades, segundo Diouf, avançariam com o fim dos subsídios aos biocombustíveis e das barreiras comerciais.

Estas barreiras "criam um mercado artificial e atualmente beneficiam produtores de países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) à custa dos produtores em países em desenvolvimento", acrescentou Diouf.

Gases do efeito estufa
O relatório afirma que os altos preços de produtos agrícolas estão causando um impacto negativo em países em desenvolvimento que dependem de importações de alimentos.

E acrescenta que a produção e o uso de biocombustíveis "não contribui necessariamente para reduzir a emissão de gases de efeito estufa como se pensava anteriormente".

O investimento em pesquisa e desenvolvimento da próxima geração de biocombustíveis - com madeira, gramíneas ou resíduos de lavouras - "tem mais potencial em termos de redução de emissões de gases de efeito estufa, com menos pressão na base de recursos naturais", segundo Diouf.

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