Mexicanos organizam toque de recolher contra traficantes

Os moradores de Ciudad Juárez, na região de Chihuahua, no norte do México, estão se organizando para realizar um "toque de recolher cidadão" neste sábado, pedindo para que ninguém saia de casa.

A região parece ter se transformado no centro da violência gerada pelo tráfico de drogas no México.

Os moradores da cidade pedem que as autoridades se dediquem mais ao combate ao crime organizado. Em março, os governos local e o federal lançaram a "Operação Conjunta Chihuahua", com a participação de mais de 3 mil integrantes do Exército, da Força Aérea e da Polícia Federal. Mas os resultados não convenceram a população. Desde o início do ano, mais de 1,3 mil pessoas foram mortas, vítimas da violência gerada pelo crime organizado - a maioria delas em Ciudad Juárez, perto da fronteira com os Estados Unidos.

Professores As ameaças já não se restringem apenas aos suspeitos de integrar os cartéis de tráfico de drogas.

Desde a semana passada, diretores de escolas primárias da região começaram a receber ameaças e sofrer chantagem.

Ameaçando os alunos, desconhecidos exigem que os professores entreguem 50% do bônus de Natal e paguem cotas de 20 pesos (cerca de R$ 3,55 reais) por aluno.

Em uma das escolas, a exigência de pagamentos em troca de proteção chegou por meio da chamada "narcomanta", um método utilizado pelos traficantes para comunicar suas mensagens escrevendo as ameaças em uma lona.

A Secretaria de Educação Pública do Estado de Chihuahua já recebeu três relatos de escolas que foram ameaçadas, de acordo com informações da porta-voz da secretaria Eva Trujillo.

O governo local está tentando acalmar os professores, alunos e diretores com um aumento na segurança.

"Estamos reforçando as rondas de segurança nas escolas e o cuidado com o pagamento dos bônus aos diretores", afirmou Trujillo.

Mas o governo de Chihuahua também pede a participação ativa dos pais de alunos nos comitês de segurança de cada escola, particularmente na entrada e saída dos estudantes.

Imprensa Outro setor ameaçado pelo crime organizado em Chihuahua é a imprensa. Na semana passada, o repórter Armando Rodríguez, que trabalhava no jornal Diario del Juárez, foi assassinado ao sair de casa.

A Procuradoria-Geral da Republica abriu uma investigação prévia sobre o crime. Com isso, as autoridades querem mostrar que estão no controle de uma situação que parece piorar a cada dia.

Mas as próprias autoridades parecem admitir que uma estratégia legal, policial e até militar não será o bastante para garantir a segurança de uma população que vive ameaçada.

O governo já fez até apelos mais emocionais para convencer a sociedade civil a colaborar. Há alguns dias, o governador de Chihuahua, José Reyes Baeza, pediu aos cidadãos que não se deixassem ameaçar e permanecessem unidos.

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