Protesto reúne milhares de pessoas em Bagdá

Milhares de pessoas participaram nesta sexta-feira de um protesto em Bagdá, no Iraque, contra a proposta de acordo que permitiria que soldados americanos permanecessem no país depois do fim do mandato concedido pela ONU.

O pacto de segurança já foi aprovado pelo gabinete ministerial iraquiano, mas ainda precisa de aprovação no Parlamento, que deve votar a proposta na próxima semana.

Iraque e Estados Unidos vinham negociando um acordo bilateral sobre o futuro das operações americanas no Iraque depois que o mandato das Nações Unidas expirar, no próximo 31 de dezembro. Se o acordo não for aprovado no Parlamento iraquiano ou se o mandato da ONU não for renovado, as operações militares dos Estados Unidos no país poderão ter de ser suspensas.

A manifestação contra o acordo foi convocada pelo clérigo xiita Moqtada Sadr, que é contra qualquer acordo do governo iraquiano com os Estados Unidos, e se concentrou na praça Firdous, local onde a estátua do ex-líder do país, Saddam Hussein, foi derrubada, há cinco anos.

Centenas de policiais iraquianos revistaram todos que entravam na praça e aeronaves não tripuladas dos Estados Unidos sobrevoaram o local.

Orações Segundo o correspondente da BBC Andrew North, que estava no local do protesto, as pessoas levavam bandeiras iraquianas, cartazes e faixas com slogans xiitas, e repetiam frases antiamericanas. Uma efígie do presidente americano George W. Bush foi atacada pela multidão.

Os manifestantes também fizeram orações conjuntas com muitos muçulmanos sunitas.

Moqtada Sadr não estava presente na manifestação, mas um sermão dele foi lido por um representante, Sheik Abdul-Hadi al-Mohammadawi.

"Deixe o governo saber que os Estados Unidos não são e não serão úteis (ao Iraque), pois se trata de um inimigo do Islã", afirmou.

"O governo deve saber que é o povo que ajuda nos momentos bons e ruins. Se (o governo) expulsar as forças de ocupação, todo o povo iraquiano vai apoiar", acrescentou.

Mas, de acordo com Andrew North, as chances de os partidários de Moqtada Sadr evitarem que o acordo seja aprovado são pequenas.

Mas a manifestação desta sexta-feira é vista como uma demonstração de influência do clérigo, que está garantindo sua posição para quando os americanos deixarem o país, segundo North.

Segundo o acordo negociado entre o governo iraquiano e os Estados Unidos, os soldados americanos se retirariam das ruas de cidades iraquianas já no próximo ano, com todos os 150 mil soldados deixando o Iraque até 2011.

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