Venezuelanos votam em eleições locais para definir 'rumo da revolução'

Quase 17 milhões de venezuelanos devem ir às urnas neste domingo para eleger novos prefeitos e governadores em uma eleição que, segundo o presidente Hugo Chávez, irá redefinir os rumos da sua Revolução Bolivariana.

Entenda melhor

As eleições regionais deste domingo vão definir os governadores dos Estados e prefeitos das cidades venezuelanas e também os deputados estaduais e membros dos conselhos municipais. Nas regiões metropolitanas de Caracas e de Alto Apure, além de elegerem os prefeitos municipais, serão escolhidos os prefeitos metropolitanos e membros dos conselhos dos distritos


O mandatário venezuelano foi o principal protagonista dessa campanha eleitoral. Temendo um avanço da oposição nos Estados em que seus simpatizantes estão descontentes com o governo, Chávez converteu o pleito em uma espécie de plebiscito, ao afirmar que o "futuro da revolução" e seu próprio futuro está em jogo nestas eleições.

"Nós estamos jogando o futuro da revolução, o futuro do socialismo, o futuro da Venezuela, o futuro do governo revolucionário e também o futuro de Hugo Chávez", afirmou o presidente venezuelano em um comício de campanha.

De acordo com pesquisas, o governo deve ganhar a maioria dos Estados, mas dificilmente conseguirá repetir os resultados das eleições de 2004, quando conquistou 21 dos 23 Estados em disputa, além da capital Caracas.

Oposição
Até a véspera do pleito, os opositores mantinham vantagem nos Estados de Zulia, Nova Esparta - já governados pela oposição - e Carabobo.

Nos Estados de Miranda (onde fica Caracas), Táchira, Barinas e Guárico, a disputa deve ser acirrada.

Um dos principais desafios do governo será recuperar os votos dos mais de 3 milhões de chavistas que não votaram no referendo da reforma constitucional no ano passado.

"Essa eleição é um termômetro que avaliará o andamento da revolução e a capacidade de recuperação do governo da derrota sofrida no referendo do ano passado", disse à BBC Brasil o cientista político Javier Biardeau, da Universidade Central da Venezuela (UCV).

A derrota no ano passado, ainda ressentida por Chávez, foi o primeiro revés nas urnas em quase dez anos de governo.

"Para o governo, o que está em jogo é o poder político e a capacidade de avançar ou não com o seu projeto socialista", disse Biardeau.

Reeleição
Se o governo alcançar uma vitória significativa, contará com um cenário favorável para avançar com o projeto de emenda constitucional que permitirá a reeleição presidencial por período indefinido.

A oposição espera barrar a emenda a partir dos resultados das eleições deste domingo.

"Isso é uma maratona rumo à liberdade. Quem parar, perde. São eleições regionais, mas são eleições nacionais", disse Julio Borges, coordenador nacional do partido de direita Primeiro Justiça.

"Porque o contrapeso que surgir do 23 de novembro (dia das eleições) será essencial para frear a reeleição presidencial", afirmou.

Se o contrapeso das urnas for favorável à oposição, analistas consideram que o chavismo entraria em um momento de crise em busca de um substituto para o presidente, cujo mandato termina em 2013.
Chávez não tratou diretamente do tema durante a campanha, mas não descartou a possibilidade de promover a reforma que permitiria sua reeleição.

"Quatro anos é o que me falta (de governo). Não discutamos isso agora, conversamos depois de novembro. (...) Deus é quem sabe", afirmou Chávez em um ato público de campanha.
A resposta de seus simpatizantes foi o coro: "Uh, ah, Chávez não se vai".

Parlamento
O balanço final das eleições deste domingo também deverá determinar, a curto prazo, a correlação de forças para as eleições à Assembléia Nacional, atualmente de maioria chavista, que serão realizadas em 2010.

"Se a oposição alcançar uma vitória significativa, começará imediatamente a campanha para conquistar maioria no Parlamento. Se alcançarem esse objetivo, o projeto de Chávez enfrentará sérias dificuldades", afirmou Biardeau.

Outro desafio para o governo será o desempenho que poderão obter os chamados dissidentes do chavismo nas eleições deste domingo.

Este grupo, que prefere não se identificar com a oposição tradicional, se rebelou frente à estratégia do partido do governo de lançar candidaturas únicas.

Os dissidentes desafiam o poder de Chávez ao tentar dividir o voto dos "revolucionários" e ameaçam a eleição dos candidatos chavistas em Barinas, feudo da família do presidente, e em Guárico.

Apuração
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) deve divulgar os resultados no final da noite deste domingo.

Os meios de comunicação estão proibidos de adiantar resultados. Chávez ameaçou "retirar do ar e cancelar a concessão" daqueles canais que desrespeitarem essa regra.

As Forças Armadas anunciaram que 140 mil efetivos já foram mobilizados e acompanharão a instalação das urnas e o andamento da jornada eleitoral. A polícia permanecerá aquartelada.

As eleições serão acompanhadas por 134 observadores internacionais, de acordo com o CNE.

Os venezuelanos elegerão um total de 23 governadores, 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais. O voto na Venezuela é facultativo.

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