Venezuelanos votam 'rumo da revolução' em eleições locais

As eleições regionais deste domingo na Venezuela, consideradas um teste para a "revolução bolivariana" liderada pelo presidente Hugo Chávez, foram concluídas oficialmente às 16h25 (18h55 em Brasília). No entanto, algumas seções eleitorais que registraram longas filas de eleitores continuaram abertas depois do prazo, até que todos possam votar, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O CNE anunciou que divulgará o primeiro boletim com "resultados irreversíveis" depois de três ou quatro horas de fechados todos os centros de votação. A legislação venezuelana proíbe a divulgação de pesquisa de boca-de-urna. Os meios de comunicação estão proibidos de adiantar resultados. Chávez ameaçou "retirar do ar e cancelar a concessão" daqueles canais que desrespeitarem essa regra.

Filas Os venezuelanos madrugaram neste domingo para participar das eleições regionais, consideradas um termômetro que medirá os resultados da "revolução bolivariana" e a liderança do presidente Hugo Chávez.

Às 3h30 (6h de Brasília), os moradores de Caracas e de outros Estados despertaram ao som de uma marcha militar e de fogos de artifício.

Nos centros de votação da capital as filas começaram a ser formadas antes do amanhecer. Segundo o CNE, quase todas as urnas foram abertas até as 10h (12h30 em Brasília), mas houve atrasos em alguns locais de votação. Em Altamira, leste da Caracas e reduto da oposição, enormes filas cercavam os centros eleitorais.

"Espero mudar este governo, não quero socialismo. Precisamos acabar com esse caos, com tanta corrupção", disse à BBC Brasil a aposentada Argenis Aponte.

Para ela, assim como para outros eleitores desse centro de votação, as eleições deste domingo devem afetar a gestão de Chávez.

Oposição De acordo com pesquisas, o governo deve ganhar a maioria dos Estados, mas dificilmente conseguirá repetir os resultados das eleições de 2004, quando conquistou 21 dos 23 Estados em disputa, além da capital Caracas.

No bairro periférico 23 de Enero, um dos bastiões chavistas em Caracas, o taxista Rafael Landaeta disse à BBC Brasil estar descontente com a atual administração da cidade e que, pela primeira vez nesses 10 anos de governo Chávez, votará na oposição.

"Os prefeitos chavistas simplesmente abandonaram esse bairro e se dedicaram à corrupção. Precisamos de mão forte para combater a delinqüência", afirmou.

De acordo com o instituto de pesquisas Hinterlaces, a insegurança é a principal preocupação de 79% dos venezuelanos. O taxista disse que continua apoiando o presidente, mas pretende castigar o governo local. "Apoio Chávez por ser o líder desse processo de transformação. O país está melhor e não podemos retroceder, por isso precisamos de mudanças, não podemos ser coniventes com a ineficiência", disse.

Plebiscito Durante a campanha, Chávez disse que os chavistas que votassem contra o governo estariam "traindo o povo, Chávez e a revolução". Enquanto aguardava na fila, no centro da cidade, sua vez de votar, o professor universitário Hector Mérida disse à BBC Brasil que considera a manutenção de representantes governistas à frente das prefeituras e governos estaduais "fundamental para fazer avançar a revolução".

"Precisamos renovar esses cargos porque há muito que fazer, mas o importante hoje é dar continuidade aos ideais da revolução", disse Mérida.

Temendo um avanço da oposição nos Estados em que seus simpatizantes estão descontentes com o governo, Chávez converteu o pleito em uma espécie de plebiscito, ao afirmar que o "futuro da revolução" e seu próprio futuro estão em jogo nestas eleições.

Até a véspera do pleito, os opositores mantinham vantagem nos Estados de Zulia, Nova Esparta - já governados pela oposição - e Carabobo.

Nos Estados de Miranda (onde fica Caracas), Táchira, Barinas e Guárico, a disputa deve ser acirrada.

As eleições foram acompanhadas por 134 observadores internacionais, de acordo com o CNE.

Quase 17 milhões de venezuelanos elegerão um total de 23 governadores, 328 prefeitos, além de 233 legisladores regionais. O voto na Venezuela é facultativo.

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