Análise: Citigroup perde US$ 253 bi de seu valor em dois anos

O Citigroup, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, é o último dos grandes do setor financeiro americano a cair vítima da crise financeira mundial.

Em 2006, o grupo valia US$ 273 bilhões e atualmente vale apenas US$ 20 bilhões devido à crise - uma desvalorização de US$ 253 bilhões.

As ações do grupo despencaram neste período de US$ 55, em 2006, para menos de US$ 4, na semana passada.

Nesta segunda-feira, o governo dos Estados Unidos anunciou um plano de resgate para o Citigroup. O Tesouro americano vai investir US$ 20 bilhões em ações preferenciais do grupo, e o governo também vai garantir até US$ 306 bilhões em empréstimos e títulos de alto risco da instituição.

O Citigroup está recebendo a ajuda do governo americano porque é uma instituição tão importante no sistema financeiro que, para Washington, trata-se de uma empresa simplesmente grande demais para quebrar.

Se o banco entrar em colapso, poderá causar problemas financeiros no mundo todo, atingindo mercados de empréstimos mais frágeis e gerando perdas enormes entre instituições que mantêm dívidas e outros produtos financeiros que contam com o apoio do grupo.

Mercado global A companhia tem operações no mundo todo e 200 milhões de contas bancárias pessoais em mais de 100 países. Em seu auge, contava com 358 mil funcionários. Em 2007, a receita total do banco chegou a US$ 159 bilhões.

O Citigroup, como uma instituição unificada, é um grupo relativamente novo. Foi formado em 1998 por meio da fusão do banco Citicorp e do conglomerado financeiro e companhia de seguros Travelers Group, em um acordo de US$ 140 bilhões.

No entanto, a história do banco tem origem nos primeiros anos dos Estados Unidos, com a fundação do City Bank de Nova York em 1812. Desde então, o banco teve um papel importante na história financeira do país.

Em 1895, o National City Bank de Nova York, com seu nome já mudado, era o maior banco dos Estados Unidos.

Em 1918, foi o primeiro banco americano com mais de US$ 1 bilhão em bens e, em 1929, tinha se transformado no maior banco comercial do mundo.

Em 1955, o banco mudou seu nome para First National City Bank of New York e então, em 1976, para Citibank, e a empresa controladora mudou seu nome para Citicorp.

Na década de 70, o banco foi um dos pioneiros no uso do caixa eletrônico e na década de 90 era o maior emissor de cartões de crédito e débito do mundo.

Gigante financeiro Por meio de uma série de grandes fusões, o Citi se transformou em um gigante do setor financeiro oferecendo desde contas bancárias pessoais a cartões de crédito, investimentos e gerenciamento de fundos.

A idéia com as fusões - que incluíram bancos como o Banamex, do México, ou o Handlowy, da Polônia - era criar um grupo financeiro grande o bastante para enfrentar qualquer crise.

Mas os críticos afirmam que o Citi não conseguiu controlar suas despesas e ficou cada vez mais difícil de gerenciar.

Segundo críticos, os problemas do Citigroup ficaram escondidos pelos lucros do grupo durante os anos de aumento do preço de imóveis. Os lucros do grupo aumentaram de US$ 17,8 bilhões, em 2003, para US$ 21,5 bilhões, em 2006.

Mas, com o agravamento da crise, a queda do Citigroup também foi grande. Apenas no terceiro trimestre deste ano, o banco relatou perdas de US$ 2,8 bilhões.

No final de setembro, o Citigroup teve outro problema quando sua tentativa de comprar o banco regional Wachovia fracassou, depois de uma oferta do grupo rival Wells Fargo.

Se o Citigroup tivesse conseguido comprar o Wachovia, teria conseguido também bilhões em depósitos adicionais, o que aumentaria a confiança dos investidores.

Mas, sem a compra do banco regional, o Citigroup ficou com poucas opções, a não ser pedir ajuda ao governo americano.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos