Evitar o canal de Suez 'não é solução' para escapar de piratas

A decisão de algumas empresas de navegação de evitar a rota mais curta, que passa pelo Canal de Suez, por causa do aumento da pirataria na região foi condenada pelo presidente da Câmera de Navegação da União Árabe, Hatem Al Qadi.

"A escolha do caminho mais longo, contornando o cabo da Boa Esperança, na África do Sul, não é uma boa solução. Talvez funcione por algumas semanas ou um mês, mas custa mais caro e demora muito mais", disse ele à BBC Brasil.

Duas duas maiores empresas que operam na área, a dinamarquesa A. P. Moeller-Maersk e a norueguesa Odfjell, anunciaram que parte de suas frotas vão passar a fazer a rota em direção aos portos europeus passando pelo litoral sul-africano, ao invés de alcançar o Mar Mediterrâneo pelo Canal de Suez. A mudança de rota deve tornar as travessias até três semanas mais longas e cerca de 30% mais caras, segundo cálculos da organização marítima Intertanko (Associação International de Proprietários de Petroleiros).

Medidas simples Na quinta-feira ocorreu um encontro no Cairo entre representantes de países árabes como o Egito, Arábia Saudita, Iêmen, Jordânia e Sudão para discutir formas de conter a pirataria, mas nenhuma medida concreta foi anunciada.

No entanto, o egípcio Al Qadi afirma que o problema da falta de segurança na região poderia ser resolvido com relativa facilidade. "Para conter o seqüestro de aviões, as aeronaves agora dispõem de homens armados. O mesmo pode ser feito com as embarcações comerciais", disse ele.

"Cada país deveria cuidar da proteção de seus navios. Os seqüestradores possuem armas leves, que poderiam ser combatidas facilmente." "O maior impedimento para a implementação dessa solução é a falta de iniciativa dos governos que não estão encarando o problema com a devida seriedade. É necessário um esforço maior, com medidas relativamente simples." "Por exemplo, os piratas usam celulares via satélite. Quais são as operadoras que permitem a comunicação deles? Seria fácil acabar com isso. Mas acredito que muitos dos países afetados estão muito acostumados a viver em paz e não sabem o que fazer para se defender." O problema Nos últimos meses a pirataria no leste africano tem aumentado substancialmente. O governo do Quênia afirmou que, apenas nos últimos 12 meses, os piratas na Somália já receberam mais de US$ 150 milhões em resgates. Muitos piratas têm se aproveitado da falta de um governo de fato na Somália para usar parte de sua costa como base. A atuação desses grupos se estende cada vez mais, em águas internacionais ao norte do Quênia até as proximidades da costa do Iêmen, incluindo o Golfo de Áden, porta de entrada para o mar Vermelho e o Canal de Suez.

Se calcula que mais de dez navios estejam seqüestrados no momento na costa somali, aguardando o pagamento de resgates, incluindo um gigante petroleiro saudita com seus 25 tripulantes e carga avaliada em mais de US$ 100 milhões.

O Sirius Star, de tamanho equivalente ao de quatro porta-aviões, é o maior navio já seqüestrado até hoje. No final da semana passada, grupos islâmicos somalis disseram que vão combater os seqüestradores da embarcação, declarando que consideram errado a captura de um navio pertencente a uma nação muçulmana.

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