Navios russos chegam à Venezuela para exercícios no Caribe

Uma frota de navios russos chega à Venezuela na manhã desta terça-feira para realizar exercícios militares conjuntos com a marinha venezuelana. Será a primeira vez, desde o final da Guerra Fria, que a Rússia realiza operações deste tipo na região, considerada uma a área de influência dos Estados Unidos.

A frota será composta pelo cruzeiro de batalha nuclear "Pedro, o Grande", considerado um dos maiores navios de combate do mundo, o navio 'Almirante Chebanenko', entre outros navios de escolta.

A manobra militar no Caribe, anunciada em setembro, foi interpretada por analistas como uma resposta de Moscou à presença militar dos Estados Unidos e de seus aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança de defesa ocidental) no mar Negro, no extremo sul da Rússia, como conseqüência do conflito com a Geórgia.

O presidente da Venezuela Hugo Chávez, porém, nega que a manobra pretenda confrontar o governo dos EUA e reeditar a polarização do período da Guerra Fria.

"Este é um velho plano. Trataram de especular que é a nova Guerra Fria, toda uma manipulação (...) isso não é nenhuma provocação, é um intercâmbio entre dois países livres e soberanos", disse na noite de segunda-feira ao anunciar a chegada dos navios.

O presidente venezuelano disse que antigamente este tipo de exercício era realizado com os EUA. No entanto, "eles decidiram nos agredir política, economica e militarmente, até que saímos desse sistema de defesa e estamos criando um próprio", acrescentou. Depois de pouco mais de dois meses de viagem, os barcos atracarão no porto de La Guaira, distante 30 km de Caracas. Outra parte da frota poderá ir ao porto de Puerto Cabello, Estado de Carabobo. A chegada da frota coincide com a visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev que visitará Caracas na próxima quarta-feira, em sua primeira visita de Estado ao país caribenho. "Dissuasão" O general do Comando Estratégico de Operações, Jesús González, disse à BBC Brasil que as marinhas dos dois países realizarão tarefas de patrulhamento, navegação, de defesa antiterrorista e intercâmbio tecnológico.

González explicou que o objetivo da manobra é incrementar a capacidade de defesa e de dissuasão das Forças Armadas. "Necessitamos assegurar nossa integridade territorial e para isso temos que ser o suficientemente dissuasivos para que nenhum país do mundo pense em vir à Venezuela para fazer o que quiser", afirmou.

"Somos o país com as maiores reservas petrolíferas deste lado do mundo e podemos supor a possibilidade de alguma ameaça. Todos aqueles que tenham grandes demandas de energia poderiam estar interessados em nosso petróleo", acrescentou González, que não quis fazer referência direta a nenhum país.

Em setembro, dois bombardeiros russos Tu-160 de longo alcance realizaram "vôos de treinamento" no Caribe, sob os auspícios do governo venezuelano. Comércio O general González afirmou que os países vizinhos não têm com o que se preocupar. O ex-ministro da Defesa, Raul Isaías Baduel, também afirmou à BBC Brasil que a realização de manobras com os russos não deve preocupar os países da região. Na sua opinião, o interesse da Rússia é fundamentalmente comercial. "Para os russos, a Venezuela se tornou uma considerável oportunidade de negócios", afirmou Baduel, que rompeu com o governo Chávez no ano passado. Desde 2004, a Venezuela tem investido US$ 4 bilhões na compra de armamentos russos. A aliança, considerada estratégica pelo governo de Caracas, permitiu a compra de 24 aviões de combate Sukhoi-30, 53 helicópteros de transporte e ataque e 100 mil fuzis de assalto 7,62 AK 103.

Venezuela e Rússia estabeleceram um acordo para a construção de duas fábricas de armamento e munição no país. Está previsto que durante a visita do presidente russo, Dmitri Medvedev, ambos governos assinem um acordo de cooperação para o desenvolvimento de energia nuclear na Venezuela com fins pacíficos.

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