Polícia prende acusados de jogar ácido em afegãs

A polícia no sul do Afeganistão prendeu dez homens envolvidos em um ataque com ácido contra mulheres no início do mês, segundo as autoridades do país.

Pelo menos 15 estudantes e professoras tiveram sérias queimaduras depois que seus rostos foram atingidos por ácido jogado por dois homens no dia 12 de novembro perto da escola para meninas Mirwais Nika, na cidade de Kandahar.

As autoridades dizem que os homens se aproximaram com uma moto e usaram uma arma de brinquedo para jogar o ácido no grupo, fugindo assim que algumas pessoas se aproximaram para ajudar as vítimas.

O vice-ministro do Interior, Mohammad Daud, disse que os homens, presos nos últimos dias, são insurgentes do Talebã e que alguns confessaram ter participado do ataque.

"O ataque foi obra do Talebã e nós não concluímos a nossa investigação", disse Daud à imprensa.

Daud disse que os homens são afegãos que haviam viajado do Paquistão.

"Eles foram liderados pelo Talebã. Eles estão recebendo ordens do outro lado da fronteira daqueles que estão liderando ataques terroristas em Kandahar", afirmou.

O governador de Kandahar, Rahmatullah Raufi, disse que os responsáveis receberam cerca de US$ 2 mil do Talebã para realizar o ataque.

O Talebã negou qualquer envolvimento. Choque Pelo menos uma das vítimas terá de passar por cirurgia plástica para ter o rosto e o pescoço reconstruídos. Algumas das meninas usavam burqas ou véus que ajudaram a protegê-las.

O ataque chocou afegãos comuns e provocou condenação também fora do país.

O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu para que os envolvidos sejam presos e executados em público.

Correspondentes dizem que é possível que o ataque tenha sido realizado por grupos que se opõem à educação de mulheres.

Sob o antigo regime do Talebã, derrubado em 2001, as meninas eram proibidas de ir à escola.

O correspondente da BBC em Cabul Sanjoy Majumder disse que muitos afegãos responsabilizam o Talebã por ataques contra escolas para meninas. Segundo Majumder, apenas 2 milhões de meninas vão à escola no Afeganistão, e muitas famílias ainda preferem mantê-las em casa apesar de o governo incentivar a educação feminina.

Centenas de escolas - e estudantes - foram atacadas por insurgentes nos últimos anos.

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