Direto dos EUA: Bush usa o que resta de seu poder para perdoar perus

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, realizou pela última vez o ritual de perdoar um peru às vésperas do feriado de Ação de Graças, uma data em que famílias nos Estados Unidos se reúnem para comer peru assado.

O perdão é ''integral e incondicional'', como frisou um bem-humorado Bush, nos jardins da Casa Branca.

As duas aves que escaparam de ser sacrificadas são naturais de Ellsworth, no Estado de Iowa, e foram batizadas de Pumpkin ("Abóbora") e Pecan ("Noz Pecã"), dois alimentos tradicionalmente consumidos nesta época do ano nos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, Pumpkin e Pecan serão enviadas em um vôo de primeira classe à Disneylândia, onde participarão de um desfile do Dia de Ação de Graças. A tradição remete à presidência de Harry Truman, que em 1947 perdoou um peru pela primeira vez.

Faltando dois meses para o final de seu mandato, Bush tem se mostrado clemente, oferecendo perdão tanto a humanos como a animais. São 16 os perdões que ele já ofereceu neste final de ano (se incluídos os dois perus). Entre eles, estão desde ex-traficantes a fraudadores. Mas talvez o perdão mais significativo tenha sido o que foi oferecido a Leslie Owen Collier, que praticou crueldade contra animais - entre eles, ainda que involuntariamente, um tradicional símbolo americano.

Em 1995, ele se declarou culpado de ter colocado pesticidas em carne de hambúrguer com o intuito de matar coiotes que viviam em sua vizinhança, em Montana, e que vinham atacando os bichanos locais. Mas o plano saiu pela culatra e Leslie acabou sendo o responsável pela morte de inúmeros animais que comeram o alimento, entre eles três águias americanas - aquele belo espécime de cabeça branca que ilustra o verso das notas de US$ 1.

Líderes americanos em final de mandato podem oferecer perdão para autores de delitos de diferentes naturezas. Jimmy Carter perdoou os americanos que se recusaram a servir no Vietnã, Gerald Ford perdoou seu antecessor, Richard Nixon - forçado a renunciar devido ao escândalo de Watergate. Bill Clinton causou muita polêmica, quando, no último dia de seu mandato, ofereceu perdão ao empresário Marc Rich, que fugiu dos Estados Unidos em 1983 sob acusação de evasão fiscal e de ter feito negócios petrolíferos com o Irã durante a crise dos reféns americanos. Muitos acusaram ao presidente de ter tomado a decisão por supostas doações feitas pela mulher de Marc Rich à Biblioteca Presidencial Clinton.

Especula-se que Bush estaria propenso a conceder indulto aos membros dos serviços de inteligência que poderiam ser acusados de ter praticado tortura contra prisioneiros estrangeiros, assim que Barack Obama chegar à Casa Branca. Entretanto, por enquanto, Bush vem se dedicando a perdões presidenciais pouco polêmicos. Afinal, restam poucas dúvidas quanto à inocência de Pumpkin e Pecan.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos