Premiê rejeita pedido de eleições na Tailândia

O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, rejeitou nesta quarta-feira o pedido do comandante do Exército do país para que convoque novas eleições e deixe o poder, em meio a protestos que levaram centenas a ocupar o principal aeroporto do país.

"Eu volto a assegurar ao povo que este governo, que é legítimo e surgiu a partir de eleições, vai continuar funcionando até o fim", disse Somchai em um pronunciamento transmitido pela televisão. "Minha posição não é importante, mas valores democráticos são." Somchai chamou de ilegal a ocupação do principal aeroporto da capital tailandesa, Bangcoc, por ativistas de oposição da Aliança Popular pela Democracia.

Apesar de uma ordem judicial para que deixem o local, os manifestantes dizem que só saem do aeroporto quando a cúpula do governo renunciar.

Todos os vôos saindo do aeroporto foram cancelados e milhares de turistas estrangeiros estão sem poder sair da cidade. Os vôos para o aeroporto estão sendo desviados para outros destinos.

O primeiro-ministro, que estava viajando no exterior, não conseguiu desembarcar em Bangcoc e teve que fazer seu discurso da cidade de Chiang Mai, no norte da Tailândia.

Impasse Somchai reagiu às declarações do general Anupong Paochinda, que havia sugerido mais cedo que o governo dissolvesse o Congresso e convocasse eleições, mas negou que estivesse planejando um golpe.

A Tailândia vive um impasse político desde que o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra foi afastado do poder em um golpe militar, em 2006.

Eleições realizadas em 2007 levaram um partido formado por aliados de Thaksin ao poder, o que fez com que os protestos voltassem.

Nos últimos meses, a Aliança Popular pela Democracia passou a promover manifestações pelo país pedindo a renúncia de Somchai.

O movimento exige mais lealdade ao rei Bhumibol Adulyadej e tenta impedir a volta de Shinawatra, que é cunhado do atual primeiro-ministro.

Confusão No aeroporto de Bangcoc, os manifestantes tomaram a torre de controle e outras áreas-chave, e muitos turistas que iriam embarcar receberam informações desencontradas sobre o que fazer.

Alguns conseguiram deixar o aeroporto em ônibus providenciados pelas autoridades, mas pelo menos 3 mil permaneceram no local e estão tendo dificuldade em sair, já que não há táxis disponíveis.

Relatos indicam que já estaria faltando água para os turistas, assim como alimentos para crianças. Rachel Kite, um dos turistas no aeroporto, disse que há muitas pessoas esperando há até 16 horas no local.

"Não recebemos nenhuma informação das autoridades do aeroporto, nem dos pobres funcionários da (empresa aérea tailandesa) Thai Airlines, que estão completamente de mãos atadas", disse.

"Todas as informações que chegam vêm da internet ou da BBC e de outras emissoras de televisão a cabo." Kite disse que os turistas estão ficando "mais e mais tensos". "Acho que as autoridades estão fazendo o que podem, mas é inevitável que as tensões comecem a aumentar", afirmou.

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