Polícia busca militantes em hotéis e centro judaico de Mumbai

Membros das forças policiais indianas estão vasculhando quarto por quarto dos hotéis de luxo Taj Mahal Palace e Oberoi Trident, em Mumbai, Índia, em busca de homens armados, possíveis reféns, ou pessoas que estão escondidas com medo de sair. Os militares também tentam liberar um centro judaico tomado pelos extremistas.

O policial que comanda as operações, J. K. Dutt, afirmou que as buscas estão quase finalizadas no Taj Mahal Palace - e que apenas um extremista ferido estaria lá dentro.

Outros dois atiradores ainda estariam escondidos do hotel Oberoi Trident, mas eles estariam isolados pelos policiais, segundo o oficial.

De acordo com Dutt, a maioria dos hóspedes do Oberoi já está em segurança, mas alguns ainda podem estar em poder dos extremistas ou trancados em seus quartos, com medo dos atiradores.

Não se sabe ao certo quantas pessoas estariam dentro dos dois prédios. Um representante do governo indiano estimou que entre 20 e 30 pessoas estejam sendo mantidas como reféns no Oberoi, mas o general R K Hooda disse acreditar que não há mais nenhum refém no local. Segundo o militar, 39 pessoas já foram resgatadas do Oberoi. "Quando realizamos a busca quarto por quarto, encontramos essas pessoas, elas tinham se trancado em seus quartos", afirmou. Por outro lado, proprietários do Oberoi dizem que cerca de 200 pessoas ainda estariam lá dentro.

Os militares indianos também estão tentando retomar o controle sobre o centro judaico, onde homens armados estariam mantendo um rabino e sua família como reféns. Segundo oficiais, sete reféns já teriam sido libertados do local.

Ataques A Marinha indiana também estaria realizando buscas em navios da costa oeste do país devido à suspeita de que os autores dos ataques chegaram a Mumbai por barco. Os homens armados lançaram ataques em pelo menos sete locais diferentes da cidade indiana no final da noite de quarta-feira (horário local), matando pelo menos 120 pessoas e deixando cerca de 300 feridos. Usando armas automáticas e granadas, os extremistas atacaram, além dos hotéis e do centro judaico, a principal estação ferroviária da cidade, um hospital e um restaurante freqüentado por turistas.

Al-Qaeda A polícia disse que seis estrangeiros morreram nos ataques em Mumbai, além de cinco extremistas. Nove suspeitos de envolvimento nos ataques teriam sido presos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, entre os mortos está um cidadão britânico. Informações dão conta de que, entre os estrangeiros mortos nos ataques, estariam também um alemão, um japonês e um italiano.

Não há informações sobre a presença de brasileiros entre as vítimas ou entre as pessoas mantidas reféns nos hotéis, segundo o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Neto. "Há 40 brasileiros cadastrados aqui, e uma população flutuante de cerca 50, entre turistas e estudantes", disse o vice-cônsul à BBC Brasil. "Estamos aguardando informações." Além do Brasil, vários governos estrangeiros lamentaram os ataques e manifestaram disposição em ajudar o governo indiano.

Relatos de testemunhas sugerem que os homens armados estavam buscando hóspedes dos hotéis com passaportes britânico ou americano. O correspondente da BBC para assuntos de segurança, Frank Gardner, diz que, se esses relatos se confirmarem, pode haver uma conexão islâmica nos ataques. Um grupo previamente desconhecido, que se apresentou como Deccan Mujahideen, reivindicou a autoria dos ataques. Gardner afirma que um outro grupo pode ter se apresentado com esse nome ou que a reivindicação da autoria pode ser um truque. Nos últimos meses, diversas cidades indianas foram alvo de ataques a bomba que deixaram dezenas de mortos. A polícia relacionou a maioria dos ataques a militantes islâmicos. Extremistas hindus também foram presos. Singh e Paquistão O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu nesta quinta-feira adotar "quaisquer medidas que sejam necessárias" para encontrar os responsáveis pelos ataques em Mumbai. Singh, em um pronunciamento transmitido pela televisão, disse que os ataques foram "bem planejados e bem orquestrados" e "procuraram causar pânico ao visar alvos de grande destaque e matar estrangeiros de forma indiscriminada".

O primeiro-ministro afirmou ainda que os responsáveis são "de fora do país" e foram à Índia "com a determinação de criar caos na capital comercial do país". Ele também alertou que a Índia não irá tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos. Singh não citou nenhum país especificamente, mas o ministro da Defesa paquistanês, Ahmed Mukhtar, negou que seu país tenha tido qualquer participação nos ataques. O general R K Hooda afirmou a um canal de televisão que foram interceptadas converas entre alguns dos extremistas, que falavam em punjabi, em um aparente indício de que o militantes teriam origem paquistanesa.

No entanto, notícias veiculadas anteriormente apontam que eles falavam em hindi, e seriam da Índia.

Em julho de 2006, Mumbai foi alvo de uma série de ataques coordenados que deixou quase 190 mortos e mais de 700 feridos. Na ocasião, a polícia indiana acusou a agência de inteligência do Paquistão de estar por trás do planejamento dos ataques de 2006, executados por militantes islâmicos. O Paquistão negou as alegações.

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