Premiê promete capturar autores de ataques na Índia

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu nesta quinta-feira adotar "quaisquer medidas que sejam necessárias" para encontrar os responsáveis pelos ataques em Mumbai.

Homens armados lançaram ataques em pelo menos sete locais diferentes da cidade indiana nas primeiras horas desta quinta-feira (hora local, noite de quarta-feira no Brasil), matando pelo menos 110 pessoas e deixando cerca de 300 feridos.

Singh, em um pronunciamento transmitido pela televisão, disse que os ataques foram "bem planejados e bem orquestrados" e "procuraram causar pânico ao visar alvos de grande destaque e matar estrangeiros de forma indiscriminada".

O primeiro-ministro afirmou ainda que os responsáveis são "de fora do país" e foram à Índia "com a determinação de criar caos na capital comercial do país".

Hotéis Os homens armados ainda ocupam os hotéis de luxo Oberoi Trident e Taj Mahal Palace, e militares indianos continuam realizando uma operação para retomar o controle sobre os hotéis.

Soldados estariam agora vasculhando os dois hotéis quarto a quarto em busca de extremistas e para libertar as pessoas com medo de sair.

Algumas pessoas foram vistas com cartazes nas janelas do Oberoi, e um incêndio está destruindo parte de um andar na parte superior do edifício.

Um outro incêndio atingiu parte do hotel Taj Mahal Palace, onde mais cedo testemunhas disseram ter visto reféns sendo libertados.

Os militares indianos também estão tentando retomar o controle sobre um centro judaico, onde homens armados estariam mantendo um rabino e sua família como reféns.

Um general que participa das operações disse a uma emissora de televisão indiana que acredita que entre dez e 12 extremistas permanecem resistindo nos três locais sob cerco do Exército.

Usando armas automáticas e granadas, os extremistas atacaram nas últimas 24 horas, além dos hotéis e do centro judaico, a principal estação ferroviária da cidade, um hospital e um restaurante freqüentado por turistas. Al-Qaeda A polícia disse que 14 policiais, 81 cidadãos indianos e seis estrangeiros morreram, além de cinco extremistas. Nove suspeitos de envolvimento ns ataques teriam sido presos.

Não há informações sobre a presença de brasileiros entre as vítimas ou entre as pessoas mantidas reféns nos hotéis, segundo o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Neto. "Há 40 brasileiros cadastrados aqui, e uma população flutuante de cerca 50, entre turistas e estudantes", disse o vice-cônsul à BBC Brasil. "Estamos aguardando informações." Além do Brasil, vários governos estrangeiros lamentaram os ataques e manifestaram disposição em ajudar o governo indiano.

Relatos de testemunhas sugerem que os homens armados estavam buscando hóspedes dos hotéis com passaportes britânico ou americano. O correspondente da BBC para assuntos de segurança, Frank Gardner, diz que, se esses relatos se confirmarem, pode haver uma conexão islâmica nos ataques. Um grupo previamente desconhecido, que se apresentou como Deccan Mujahideen, reivindicou a autoria dos ataques. Gardner afirma que um outro grupo pode ter se apresentado com esse nome ou que a reivindicação da autoria pode ser um truque. Histórico de ataques Nos últimos meses, diversas cidades indianas foram alvo de ataques a bomba que deixaram dezenas de mortos. A polícia relacionou a maioria dos ataques a militantes islâmicos. Extremistas hindus também foram presos.

Em julho de 2006, Mumbai foi alvo de uma série de ataques coordenados que deixou quase 190 mortos e mais de 700 feridos. Na ocasião, bombas foram detonadas em trens nos horários de maior movimento. A polícia indiana acusou a agência de inteligência do Paquistão de estar por trás do planejamento dos ataques de 2006, executados por militantes islâmicos. O Paquistão negou as alegações.

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