Forças indianas buscam últimos extremistas em hotel

Forças de segurança indianas continuam realizando uma operação no hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai, onde extremistas permanecem escondidos, mais de 48 horas depois do início dos ataques na cidade indiana.

Forças de elite estariam vasculhando o hotel quarto a quarto desde a quinta-feira em busca dos extremistas, que poderiam ainda estar com reféns. Já foram encontrados pelo menos 30 corpos de vítimas em um salão. Novas explosões e tiros foram ouvido no prédio na manhã deste sábado (horário local) e imagens de televisão mostram um incêndio em parte do hotel.

Segundo o repórter da BBC Mark Dummet, que está no local, acredita-se que quatro extremistas ainda estejam no hotel e que eles ainda tenham bastante munição.

Um jornalista e um passante que estavam no lado de fora do hotel foram hospitalizados após serem atingidos por estilhaços.

Centro judaico Nesta sexta-feira, forças de segurança invadiram um centro judaico onde extremistas também mantinham prisioneiros.

Seis reféns foram encontrados mortos dentro do Centro Nariman, entre eles o rabino que dirigia o local, Gavriel Noach Holzberg, e sua mulher. Informações dão conta de que dois extremistas teriam sido mortos.

Mais cedo, imagens da televisão indiana mostraram soldados descendo por meio de cordas de um helicóptero que sobrevoava o local e outros se aproximando por terra do escritório do centro.

Segundo o correspondente da BBC David Loyn, os soldados inicialmente atiraram bombas de fumaça para confundir os extremistas.

Horas antes, uma mulher e uma criança saíram do local, mas ainda não está claro se elas foram libertadas pelos militantes ou se conseguiram escapar. A criança foi identificada como o filho de dois anos de idade do rabino.

Oberoi Os ataques coordenados em Mumbai, realizados em sete locais diferentes, já deixaram pelo menos 144 mortos e mais de 300 feridos.

Usando armas automáticas e granadas, os extremistas atacaram, além do hotel e do centro judaico, um outro hotel, a principal estação ferroviária da cidade, um hospital, um restaurante freqüentado por turistas e um condomínio.

Na noite desta sexta-feira (horário local), as forças indianas anunciaram ter tomado o controle do hotel Oberoi Trident, onde até o dia anterior os extremistas ainda mantinham reféns.

O chefe de segurança do país, J.K. Ditt., disse que forças especiais invadiram o hotel e mataram dois militantes. A polícia encontrou 24 corpos no hotel, pouco depois de libertar 93 pessoas lá detidas, entre hóspedes e funcionários.

Vítimas De acordo com R.R. Patil, membro do gabinete de governo do Estado de Maharashtra, onde fica Mumbai, pelo menos nove extremistas, 15 policiais e dois membros da força de elite indiana teriam sido mortos. Outros nove suspeitos de envolvimento nos ataques teriam sido presos.

Segundo ele, um dos detidos é paquistanês.

Pelo menos 18 estrangeiros teriam morrido nos ataques, incluindo vítimas da Alemanha, Japão, Canadá, Austrália, Itália, Cingapura e Grã-Bretanha. O departamento de Estado dos EUA afirmou na noite de quinta-feira que um total de cinco norte-americanos estava entre os mortos. Outros estariam desaparecidos.

Foi confirmada nesta sexta-feira a morte de um casal de franceses e de dois norte-americanos que estavam no hotel Oberoi Trident.

Não há informações sobre a presença de brasileiros entre as vítimas ou entre as pessoas mantidas como reféns segundo o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Neto. "Entramos em contato com as administrações dos dois hotéis e eles afirmaram que não havia nenhum brasileiro registrado lá no dia dos ataques. Também não recebemos notícias de que brasileiros possam estar entre as vítimas ou reféns", disse Chapot à BBC Brasil na sexta-feira.

Conexão islâmica Além do Brasil, vários governos estrangeiros lamentaram os ataques e manifestaram disposição em ajudar o governo indiano.

Relatos de testemunhas sugerem que os homens armados estavam buscando hóspedes dos hotéis com passaportes britânico ou americano.

O analista da BBC para assuntos de segurança, Frank Gardner, diz que, se esses relatos se confirmarem, pode haver uma conexão islâmica nos ataques. Um grupo previamente desconhecido, que se apresentou como Mujahideen do Deccan, reivindicou a autoria dos ataques. Gardner afirma que um outro grupo pode ter se apresentado com esse nome ou que a reivindicação da autoria pode ser um truque. Nos últimos meses, diversas cidades indianas foram alvo de ataques a bomba que deixaram dezenas de mortos. A polícia relacionou a maioria dos ataques a militantes islâmicos, mas extremistas hindus também foram presos. Paquistão O governo paquistanês decidiu nesta sexta-feira enviar a Mumbai o chefe do serviço de inteligência do país para ajudar nas investigações sobre os atentados, em meio à suspeita na Índia de que os agressores tenham ligação com o Paquistão.

A oferta de ajuda foi feita depois de o ministro das Relações Exteriores da Índia, Pranab Mukherjee, ter declarado que há indícios de que paquistaneses poderiam estar envolvidos nos ataques.

Oficiais da Grã-Bretanha investigam informações de que cidadãos britânicos de origem paquistanesa poderiam estar entre os envolvidos.

Entretanto, eles dizem que o governo indiano afirmou que não há evidências de participação de cidadãos britânicos. A Marinha indiana estaria realizando buscas em navios da costa oeste do país, pois acredita-se que os autores dos ataques chegaram a Mumbai por barco. Dois barcos paquistaneses teriam sido apreendidos e a tripulação, interrogada.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu adotar "quaisquer medidas que sejam necessárias" para encontrar os responsáveis pelos ataques em Mumbai. O primeiro-ministro afirmou ainda que os responsáveis são "de fora do país" e foram à Índia "com a determinação de criar caos na capital comercial do país". Ele também alertou que a Índia não irá tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos.

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