Manifestantes atacam polícia na Tailândia

Manifestantes tailandeses atacaram um posto policial nas proximidades do principal aeroporto da capital, Bangcoc, obrigando as forças policiais a recuarem da tentativa de evitar a chegada de mais manifestantes ao local.

Os confrontos começaram após milhares de policiais tailandeses terem formado um grande cordão de isolamento cercando o aeroporto internacional Suvarnabhumi, ocupado por manifestantes oposicionistas ao governo desde a última terça-feira. A polícia havia ordenado que os manifestantes se retirassem do local. No entanto, mesmo com o aumento da pressão, os oposicionistas ligados ao partido Aliança Popular pela Democracia (PAD, na sigla em inglês) afirmaram que não irão se retirar até que o primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, renuncie, o que ele já descartou.

De acordo com o correspondente da BBC Jonathan Head, não se sabe por quê a polícia está tão relutante em acabar com a ocupação, que está custando caro à economia tailandesa.

Porém, ele diz que o desafio de invadir um prédio tão imenso - cheio de pessoas de todas as idades - sem causar vítimas pode estar aquém dos poderes da polícia. E o Exército continua se recusando a ajudar.

O governo disse que vai coordenar a retirada de dezenas de milhares de turistas ilhados com embaixadas estrangeiras em Bangcoc.

No entanto, o fato de o primeiro-ministro estar nervoso demais para voltar do norte do país à capital diminui a autoridade do governo a cada dia que passa.

Foi decretado estado de emergência no aeroporto de Suvarnabhumi e no aeroporto doméstico Don Mueang, que também está ocupado por manifestantes.

Correspondentes afirmam que o clima é de triunfo entre a multidão no imenso acampamento que o aeroporto de Bangcoc se tornou.

O clima era bem mais tenso na manhã deste sábado, quando chegaram informações de que a polícia estava se posicionando para retomar o prédio dos manifestantes.

Porém, apenas um pequeno número de policiais montou bloqueios nos acessos aos aeroportos, onde pelo menos 2 mil manifestantes se posicionaram atrás de barricadas e arame farpado.

O líder do PAD, Sondhi Limthongkul, disse que ele não iria negociar, apesar de um apelo pessoal feito pelo primeiro-ministro por um diálogo.

Prejuízo Milhares de turistas continuam ilhados em Bangcoc por causa do bloqueio, que já custou à economia tailandesa cerca de US$ 4 bilhões.

Companhias aéreas começaram a retirar alguns passageiros usando uma base aérea naval a 150 quilômetros da cidade na sexta-feira, mas a confusão e os atrasos continuavam.

O premiê Somchai Wongsawat pediu na sexta-feira que sejam utilizadas todas as formas pacíficas possíveis para se encerrar a ocupação dos aeroportos e rebaixou o cargo do chefe da polícia do país.

Não foi dada nenhuma explicação oficial para o rebaixamento do general Patcharawat Wongsuwanbut, mas o porta-voz do governo Nattawut Saikuar disse à emissora de televisão Thai TV de que a decisão não tinha ligação com a crise atual.

Wongsuwanbut teria sido transferido para "um posto inativo" segundo informações de funcionários do governo.

Nattawut disse que a polícia foi instruída a "fazer o que for necessário para reabrir os aeroportos na base da não-violência".

Enquanto isso, Wongsawat afirmou continuará indefinidamente na cidade de Chiang Mai, no norte do país, longe dos protestos, em uma medida que procura garantir sua segurança.

O avião de Somchai Wongsawat não conseguiu pousar nos aeroportos de Bangcoc na volta de uma visita fora da Tailândia.

O correspondente da BBC em Bangcoc, Quentin Sommerville, disse que Somchai já perdeu a confiança do chefe do Exército do país, o general Amupong Paochinda, e rumores de um golpe ganham força na capital.

A turbulência política na Tailândia começou em 2006, quando o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra foi derrubado do poder.

O PAD - uma aliança formada por monarquistas, empresários e a classe média urbana - afirma que o governo é corrupto e tem uma atitude hostil em relação à monarquia.

Eles vêm ocupando um complexo de prédios do governo em Bangcoc há meses e declararam no início desta semana que estavam iniciando a "batalha final" de sua campanha para derrubar o governo.

De acordo com correspondentes, os manifestantes nos aeroportos estão ficando cada vez mais isolados e estão perdendo o apoio de simpatizantes tracidionais, como a elite empresarial.

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