Polícia afirma ter assumido controle de hotel em Mumbai

Forças de segurança indianas tomaram o controle, neste sábado, do hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai, onde extremistas resistiam após os ataques da última quarta-feira.

Autoridades indianas afirmam que pelo menos 195 pessoas teriam sido mortas nos atentados. O comissário de polícia de Mumbai, Hassan Gafoor, afirmou que "todas as operações foram finalizadas e os militantes mortos".

Segundo informações, pelo menos três militantes teriam sido mortos na operação da manhã deste sábado (horário local), dando fim a um cerco que já durava quase três dias.

Militantes também haviam feito reféns em outro hotel de luxo, o Oberoi Trident, e em um centro judaico. Os cercos a estes lugares terminaram na sexta-feira.

Desde quinta-feira, as forças indianas cercavam o Taj Mahal Palace. Temia-se que os extremistas que estavam no lugar estivessem mantendo reféns. Cerca de trinta corpos haviam sido encontrados no saguão do hotel na sexta-feira.

Logo após o anúncio, os policiais começaram uma revista em toda a área do hotel para se certificar de que o local estava sob controle e que nenhum militante estava escondido no prédio.

Antes de o hotel ser controlado, novas explosões e tiros foram ouvidos na manhã deste sábado e um incêndio começou em parte do prédio.

Centro judaico Na manhã de sexta-feira, forças de segurança invadiram um centro judaico onde extremistas também mantinham prisioneiros.

Seis reféns foram encontrados mortos dentro do Centro Nariman, entre eles o rabino que dirigia o local, Gavriel Noach Holzberg, e sua mulher. Informações dão conta de que dois extremistas teriam sido mortos na ação.

Horas da ação, uma mulher e uma criança saíram do local, mas ainda não está claro se elas foram libertadas pelos militantes ou se conseguiram escapar. A criança foi identificada como o filho de dois anos de idade do rabino.

Oberoi Os ataques coordenados em Mumbai, realizados em sete locais diferentes, deixaram pelo menos 195 mortos e mais de 300 feridos.

Usando armas automáticas e granadas, os extremistas atacaram, além do hotel e do centro judaico, um outro hotel, a principal estação ferroviária da cidade, um hospital e um restaurante freqüentado por turistas.

Na noite de sexta-feira (horário local), as forças indianas tomaram o controle do hotel Oberoi Trident, onde até o dia anterior os extremistas ainda mantinham reféns.

O chefe de segurança do país, J.K. Ditt., disse que forças especiais invadiram o hotel e mataram dois militantes. A polícia encontrou 24 corpos no hotel, pouco depois de libertar 93 pessoas lá detidas, entre hóspedes e funcionários.

Vítimas Pelo menos 18 estrangeiros morreram nos ataques, incluindo vítimas da Alemanha, Japão, Canadá, Austrália, Itália, Cingapura e Grã-Bretanha. Foi confirmada nesta sexta-feira a morte de um casal de franceses e de dois norte-americanos que estavam no hotel Oberoi Trident.

Antes, na quinta-feira, o Departamento de Estado dos EUA havia confirmado que um total de cinco norte-americanos estava entre os mortos. Outros estariam desaparecidos.

Não há informações sobre a presença de brasileiros entre as vítimas ou entre as pessoas mantidas como reféns segundo o vice-cônsul do Brasil em Mumbai, Chateaubriand Chapot Neto. "Entramos em contato com as administrações dos dois hotéis e eles afirmaram que não havia nenhum brasileiro registrado lá no dia dos ataques. Também não recebemos notícias de que brasileiros possam estar entre as vítimas ou reféns", disse Chapot à BBC Brasil na sexta-feira.

Conexão islâmica Além do Brasil, vários governos estrangeiros lamentaram os ataques e manifestaram disposição em ajudar o governo indiano.

Relatos de testemunhas sugerem que os homens armados estavam buscando hóspedes dos hotéis com passaportes britânico ou americano.

O analista da BBC para assuntos de segurança, Frank Gardner, diz que, se esses relatos se confirmarem, pode haver uma conexão islâmica nos ataques. Um grupo previamente desconhecido, que se apresentou como Mujahideen do Deccan, reivindicou a autoria dos ataques. Gardner afirma que um outro grupo pode ter se apresentado com esse nome ou que a reivindicação da autoria pode ser um truque. Nos últimos meses, diversas cidades indianas foram alvo de ataques a bomba que deixaram dezenas de mortos. A polícia relacionou a maioria dos ataques a militantes islâmicos, mas extremistas hindus também foram presos. Paquistão O governo paquistanês decidiu nesta sexta-feira enviar a Mumbai o chefe do serviço de inteligência do país para ajudar nas investigações sobre os atentados, em meio à suspeita na Índia de que os agressores tenham ligação com o Paquistão.

A oferta de ajuda foi feita depois de o ministro das Relações Exteriores da Índia, Pranab Mukherjee, ter declarado que há indícios de que paquistaneses poderiam estar envolvidos nos ataques.

Oficiais da Grã-Bretanha investigam informações de que cidadãos britânicos de origem paquistanesa poderiam estar entre os envolvidos.

Entretanto, eles dizem que o governo indiano afirmou que não há evidências de participação de cidadãos britânicos. Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu adotar "quaisquer medidas que sejam necessárias" para encontrar os responsáveis pelos ataques em Mumbai. O primeiro-ministro afirmou ainda que os responsáveis são "de fora do país" e foram à Índia "com a determinação de criar caos na capital comercial do país". Ele também alertou que a Índia não irá tolerar que extremistas usem países vizinhos como base para lançar ataques contra alvos indianos.

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