Cantor é condenado à prisão por genocídio em Ruanda

Um dos mais famosos cantores de Ruanda, Simon Bikindi, foi sentenciado a 15 anos de prisão por ter incitado a violência durante o genocídio de 1994.

O cantor foi condenado devido a um discurso feito em um carro de som na época do genocídio, no qual ele encorajou integrantes da etnia hutu a matarem tutsis enquanto passava pelas estradas do país.

Bikindi foi julgado no Tribunal Internacional Criminal da ONU para Ruanda, que é baseado na Tanzânia, e poderia ter sido condenado até à prisão perpétua se fosse atendido o pedido dos promotores.

Os promotores pediam a prisão perpétua de Bikindi alegando que suas músicas e letras, que eram muito populares na época, incitavam o ódio contra os tutsis.

Mas, os juízes afirmaram que as músicas foram escritas antes do genocídio e não existiam provas de que Bikindi tenha tocado ou cantado as músicas em 1994.

Em 1994 cerca de 800 mil pessoas, da minoria tutsi e hutus moderados, morreram nas mãos de milícias hutu em apenas cem dias.

'Cobras' Os casos mais importantes ligados ao genocídio em Ruanda estão sendo julgados no tribunal estabelecido em Arusha, na Tanzânia. Desde 1997, o Tribunal Internacional Criminal da ONU para Ruanda já condenou 29 pessoas e absolveu outras cinco.

Bikindi fez o discurso que levou à sua condenação na estrada entre as cidades de Kivumu e Kayove, noroeste de Ruanda, em junho de 1994.

"Simon Bikindi usou um sistema de som para declarar que a maioria da população, os hutus, deveria se rebelar para exterminar a minoria, os tutsis", afirmou uma declaração da corte.

"No caminho de volta, Bikindi usou o mesmo sistema para perguntar se as pessoas tinham matado tutsis, a quem ele se referia como cobras." O correspondente da BBC no tribunal Jamhuri Mwavyombo afirmou que os advogados do cantor ainda estão analisando a possibilidade de entrar com um recurso.

Bikindi já trabalhou no Ministério dos Esportes de Ruanda e foi o fundador do Balé Irindiro naquele país.

O cantor foi preso sete anos atrás na Holanda.

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