Entenda os protestos e a crise política na Tailândia

A situação política na Tailândia, tensa desde agosto com os vários protestos da oposição, está incerta depois que a Corte Constitucional do país dissolveu o partido do governo e baniu seus líderes da política por cinco anos.

A queda do governo do primeiro-ministro Somchai Wongsawat era a principal reivindicação dos manifestantes que vinham, havia vários semanas, ocupando prédios públicos e, desde a semana passada, aeroportos.

Os protestos expuseram a divisão da sociedade tailandesa entre duas forças políticas: o PAD (Aliança do Povo pela Democracia) e o PPP (Partido do Poder Popular).

A BBC preparou uma série de perguntas e respostas que explica os principais pontos da crise: O que acontece agora? O premiê Somchai Wongsawat disse que respeitará a decisão da Corte Constitucional - o que significa que ele deve deixar o poder. A corte dissolveu o PPP por fraude eleitoral, e baniu Somchai e outros líderes do partido da política por cinco anos.

Acredita-se que os integrantes remanescentes do PPP devem criar um outro partido para manter sua maioria no Parlamento tailandês e, eventualmente, formar um novo governo.

A saída de Somchai do poder era a principal reivindicação dos manifestantes que, desde a semana passada, ocupam os dois principais aeroportos de Bangcoc. O que acontecerá com os protestos? Os manifestantes nos aeroportos celebraram a decisão da Corte e permitiram a retomada dos vôos. Mas não se sabe ao certo se a oposição ficará satisfeita com os rumos dos acontecimentos. Eles vinham chamando a última onda de protestos de "batalha final" na luta para derrubar o governo.

O principal aeroporto internacional da capital do país foi escolhido a dedo por sua importância - ele é fundamental para a economia do país, altamente dependente do turismo, e, ao mesmo tempo, uma espécie de projeto xodó do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, visto como o principal adversário dos opositores. Quem são os manifestantes? As pessoas que protestam em Bangcoc são membros da Aliança do Povo pela Democracia (PAD, na sigla em inglês), um grupo formado por homens de negócio, pessoas leais ao rei e representantes da classe média urbana. Eles pediam a renúncia do governo de Somchai por acharem que ele é muito próximo do ex-premiê Thaksin Shinawatra, acusado de corrupção e abuso de poder.

Em 2006, o mesmo grupo liderou os protestos em Bongcoc que precederam o golpe militar que acabou por derrubar Thaksin.

Em agosto, o ex-premiê Samak Sundaravej - que também era próximo de Thaksin - foi obrigado por um tribunal a renunciar, em um episódio aparentemente sem nenhuma relação com os protestos.

Somchai Wongsawat, que é cunhado de Thaksin, foi então eleito.

Por que Thaksin ainda é tão importante? O empresário bilionário continua banido da política da Tailândia e atualmente encontra-se exilado na Grã-Bretanha. Ele fugiu da Tailândia no início de agosto para evitar processos de corrupção.

Apesar do fato de que ele não se encontra mais no país, o PAD insiste em que ele continua exercendo o poder por trás do Partido do Poder Popular (PPP), que surgiu das ruínas do banido partido Thai Rak Thai para vencer as últimas eleições gerais em dezembro. O PAD argumenta que o PPP não é nada mais que um partido testa-de-ferro para as ambições políticas de Thaksin. Muitos acreditam que ele financia o partido. Os oposicionistas classificam o premiê Somchai Wongsawat como um fantoche de Thaksin, assim como já faziam com Samak Sundaravej.

Além disso, o PAD busca legalização do papel do Exército como moderador político do país e a eleição indireta de membros do Parlamento, argumentando que a população rural não tem instrução suficiente para votar. Por que o PAD critica tanto Thaksin? Os primeiros-ministros tailandeses nunca duraram muito tempo no cargo ou tiveram muito poder. Mas Thaksin começou a mudar esta face da política nacional.

Suas políticas populistas atraíram enorme apoio nas áreas rurais. Ele foi o primeiro premiê a completar o mandato. Seus aliados dominaram o Parlamento. A Tailândia teve nele um novo e heterodoxo líder, e a elite se sentiu ameaçada com a grande base de apoio de Thaksin. Ele foi acusado de corrupção e nepotismo. Alguns de seus detratores também acusaram Thaksin de ter tendências republicanas e de disputar a preferência da nação com o rei tailandês Bhumibol, de 80 anos, o que o ex-premiê rejeita.

Quem está por trás do PAD? A sociedade tailandesa é profundamente dividida. A população rural ainda apóia fortemente Thaksin e o PPP venceu com folga as eleições do ano passado. Muitos dos que votaram no PPP o fizeram por querer o retorno de Thaksin e suas políticas.

Thaksin, no entanto, continua muito impopular entre a elite urbana da Tailândia.

Os últimos protestos, no entanto, não estão nem próximos da magnitude daqueles que precederam o golpe de setembro de 2006.

Muitos dos habitantes de Bangcoc, mesmo não apoiando a coalizão governamental, também estão cansados dos meses de instabilidade política.

Com o aumento dos preços de alimentos e combustíveis, a maioria dos tailandeses quer um governo estável.

O que deve acontecer agora? O PAD quer alterar o sistema eleitoral da Tailândia, abandonando o sistema de um voto por pessoa e adotando uma representação por classes sociais.

O governo disse estar disposto a negociar com o PAD, mas está promovendo uma série de reformas constitucionais que desagradam a oposição. As medidas, segundo os opositores, favoreceriam a volta de Thaksin.

Há poucas perspectivas de haver uma mudança no equilíbrio de poder entre o PPP, que tem grande apoio popular, e o PAD, que é dominado pela elite do país.

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