Mortes por cólera chegam a 473 no Zimbábue, diz OMS

Um surto de cólera no Zimbábue já matou pelo menos 473 pessoas entre agosto e o dia 30 de novembro, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A entidade afirmou que a doença afeta a maioria das regiões do país e mais de 11,7 mil casos foram registrados no mesmo período.

"Surtos de cólera no Zimbábue ocorrem anualmente desde 1998, mas as epidemias anteriores nunca alcançaram as proporções de agora. O maior surto ocorreu em 1992, com 3 mil casos registrados", afirmou a OMS em uma declaração em seu site.

A contaminação pela doença piorou com o colapso do sistema de saúde e saneamento do Zimbábue, em meio a uma prolongada crise econômica e política.

A imprensa estatal informou que a maior parte da capital, Harare, está sem água, devido à escassez de produtos químicos para tratamento da água.

A OMS afirmou que os casos da doença "podem se espalhar rapidamente para áreas sem acesso a saneamento e (fontes de) água segura".

"As taxas de mortes (pela doença) podem aumentar rapidamente em populações sem acesso rápido a tratamentos simples", acrescentou a Organização.

Hospitais A doença pode ser tratada facilmente, mas os hospitais do Zimbábue não têm medicamentos ou funcionários. Segundo a OMS, as instalações de saúde do país têm uma "grande lacuna" nos estoques de medicamentos devido à queda na capacidade de fabricação local destes remédios. "A reativação dos serviços de saúde primários deve ser tratada como uma questão de emergência", de acordo com a entidade.

Além do corte do fornecimento de água para a capital, Harare, o ministro da Saúde, David Parirenyatwa, afirmou que as pessoas devem suspender os apertos de mão quando se encontram, para evitar a contaminação.

O Zimbábue é afetado por uma longa crise política e econômica, com a taxa anual de inflação em torno dos 231 milhões por cento, em outubro.

Casos de cólera também foram registrados além das fronteiras do Zimbábue, em países como África do Sul, Moçambique e Botsuana.

Segundo Peter Biles, correspondente da BBC na cidade sul-africana de Musina, na fronteira entre os dois países, funcionários do setor de saúde da África do Sul estão tentando conter a contaminação pela doença.

Instalações foram improvisadas no local para atender até cem pacientes de uma vez.

O Ministério da Saúde da África do Sul já confirmou mais de 160 casos de cólera e três mortes.

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