Oposição anuncia novos protestos na Bolívia

Setores da oposição na Bolívia anunciaram, nesta terça-feira, a realização de novos protestos contra as prisões de 25 de seus apoiadores, acusados pelo governo do presidente Evo Morales de atos violentos nas manifestações ocorridas no último mês de setembro, quando o país enfrentou uma grave crise política. O anúncio dos novos protestos foi feito após um período de quase dois meses de trégua entre governo e oposição, que incluiu um entendimento sobre a nova Constituição e sobre a realização de um referendo, no dia 25 de janeiro, para ratificá-la ou não. Até então, o texto era o pano de fundo de uma disputa política que durou meses. Nesta terça, Freddy Castrillo, do Comitê Cívico do Departamento (Estado) de Tarija, afirmou que será realizada nesta quarta-feira uma paralisação de 24 horas no local, de acordo com a rádio Fides, de La Paz. Novos protestos estariam sendo programados também nos Departamentos de Santa Cruz, principal reduto da oposição, Beni e Chuquisaca, como informou a imprensa local.

"Não vamos parar só por uma pessoa, mas pela liberdade do povo boliviano e a democracia do país", disse Castrillo. Explosões O presidente do Comitê Cívico de Tarija, Reinaldo Bayard, detido na semana passada, é um dos 25 que cumprem prisão preventiva por estarem, segundo o ministro de Governo, Alfredo Rada, ligados aos protestos de setembro.

Eles são acusados, entre outras ações, de estarem envolvidos nos protestos em Tarija que culminaram com explosões no gasoduto Yacuíba-Rio Grande, que envia gás para o mercado brasileiro. Na ocasião, o governo definiu a ação como "incêndio intencional". "O fato criminoso ocorreu neste 10 de setembro na região de Palmar Grande, Yatebute, onde um grupo de vândalos fechou a válvula SDV-3 do GASYRG (Gasoduto Yacuíba-Rio Grande), destruindo a chave de segurança e provocando a forte saída de gás. Depois, uma faísca provocada intencionalmente causou o incêndio de grandes proporções", informou, à época, um comunicado do Ministério de Hidrocarbonetos. O ministro de Governo, Alfredo Rada, afirmou nesta terça-feira que o número de detidos poderia subir, dependendo das investigações. De acordo com o jornal La Razón, o ministro sinalizou que a Justiça também investiga o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic. A informação gerou protestos da organização."Marinkovic não está foragido, mas não vamos permitir sua prisão", disse Luis Nuñez, membro do comitê. O grupo de presos inclui ainda os acusados de envolvimento nas mortes ocorridas em Pando, na fronteira com o Acre, também em setembro. Entre os detidos está o prefeito (governador) suspenso de Pando, Leopoldo Fernández, apontado, na ocasião, como responsável pelo "massacre" de pelo menos 16 camponeses na região. Referendo "Se tivermos que repetir a luta de setembro junto ao povo, repetiremos, assumindo todas as conseqüências", disse o prefeito de Tarija, Mario Cossío, após reunião com opositores regionais ao governo do presidente Evo Morales. Por sua vez, Alberto Melgar, líder do Comitê Cívico de Beni, afirmou que as prisões poderão levá-los a impedir a realização do referendo constitucional - visto por diferentes analistas como uma "oportunidade" para maior entendimento no país. "Se os presos não forem liberados e devolvidos às suas regiões, vamos parar o referendo constitucional nos nossos Departamentos", disse. O porta-voz do Palácio presidencial, Iván Canelas, disse que as detenções "não têm nenhum objetivo político" e são, conseqüência das investigações do que ocorreu em setembro. Integrantes do MAS (Movimento ao Socialismo), partido do governo, acusam os representantes da oposição de estarem defendendo "delinqüentes". "Estes protestos representam a defesa de delinqüentes", disse Félix Rojas, senador do MAS.

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