Órgão europeu quer examinar esgotos para avaliar uso de drogas

O Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência está propondo uma nova forma de verificar o consumo de drogas: medir os resíduos dos psicotrópicos que podem ser encontrados nas estações de tratamento de esgoto de cada cidade. Segundo o estudo do Observatório, que é um órgão da União Européia que fornece informações e sugere políticas ao bloco referentes ao uso de drogas, seria possível avaliar o consumo, quais as drogas mais usadas e se as ações que as autoridades estão adotando para diminuir o consumo estão tendo algum efeito através da análise das águas residuais das cidades.

"Temos testes capazes de verificar os resíduos de todos os tipos de drogas, cocaína, morfina, metadona", conta Norbert Frost, do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência. Ele afirma que para que esse estudo epidemiológico seja exato, é necessário saber discernir o uso das drogas entre o consumo ligado a vício e o medicinal: "A cocaína é fácil, por ter apenas um uso. Mas a morfina é usada como droga e como tratamento para doentes de câncer. A metadona também é usada como droga e nas terapias de substituição das drogas pesadas", afirma.

Frost acredita que para que essa forma de medir o uso de drogas seja colocada em prática, é necessária vontade política de investir nisso. "São necessárias 6 medições por dia (em cada estação de tratamento) e para que o estudo tenha consistência é necessário que dure pelo menos três meses. Isso são cerca de 540 análises", disse. "Neste momento, cada análise custa cerca de 450 euros (R$ 1.430). Mas se for atingida uma produção em massa dos testes para a análise, poderá ficar por menos de 100 euros (R$ 315)." Segundo esses números, para cada estação de tratamento de esgotos seria necessário um investimento de 243 mil euros (R$ 772 mil) aos preços de hoje.

Só avaliação Segundo Frost, a monitoração em si não será uma forma de combater o consumo de entorpecentes. "Mas pode servir como instrumento para medir se as intervenções no âmbito local por parte das autoridades estão tendo efeito", explicou.

"Imagine-se uma operação de médio prazo de apreensão de drogas por parte das autoridades. Deveria haver uma queda da quantidade de resíduos de droga nos esgotos." "Se essa quantidade permanecer estável, isso significa que a intervenção não está dando certo ou que o tráfico encontrou outras rotas para trazer a droga". O estudo tomou como base três experiências que estão sendo desenvolvidas na Europa. Uma na Itália, em análises realizadas na região de Como, perto de Milão. Outra na Bélgica, onde a Universidade de Antuérpia está desenvolvendo um estudo sobre os esgotos junto com o Instituto de Toxicologia, e, finalmente, na Espanha, com pesquisas realizadas no vale do rio Ebro, no nordeste do país. No entanto, segundo Frost, faltam parâmetros unificados para que os resultados possam ser comparados.

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