Mugabe tem que renunciar ou ser preso, diz Nobel da Paz

O bispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1984, disse que o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, tem que renunciar ou ser preso e mandado para o tribunal de Haia, na Holanda, para ser julgado pelas "graves violações" que cometeu.

Na entrevista a um canal de televisão holandês, o bispo disse ainda que Mugabe deveria ser removido do poder à força caso se recuse a sair por conta própria e que o líder zimbabuano "arruinou um país maravilhoso".

"Acho que agora o mundo tem que dizer: 'Você foi responsável, junto com seu bando, por graves violações. E você vai enfrentar um processo em Haia, a não ser que renuncie", disse o bispo.

Em meio à crise política e econômica, o Zimbábue declarou estado de emergência por causa de um surto de cólera que já matou pelo menos 565 pessoas - o mais mortal da história do país.

Crise política A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta sexta-feira que "já passou da hora" de Mugabe sair, alegando que "uma falsa eleição" foi seguida por um "falso processo" de negociações pelo compartilhamento do poder.

Mugabe e o líder da oposição Morgan Tsvangirai concordaram a dividir o poder, em setembro, em uma tentativa de conter a crise econômica no país. Mas eles não conseguiram entrar em um acordo sobre o ministério.

O impasse se seguiu a uma eleição concorrida, em que ambos se declararam vitoriosos.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, havia dito que os governos africanos deveriam retirar Mugabe da Presidência.

Segundo o correspondente da BBC em Johanesburgo Jonah Fisher, apesar de líderes africanos terem começado a criticar Mugabe abertamente, ainda não sinais reais de que o presidente do Zimbábue esteja prestes a ser forçado a sair.

Cólera Tanto autoridades sul-africanas quanto moçambicanas estão em alerta para evitar que a cólera se alastre além das fronteiras zimbabuanas.

A África do Sul anunciou que vai mandar representantes para o Zimbábue na semana que vem para saber de que tipo de assistência o país precisa.

Entidades de ajuda humanitária alertam que, além da cólera, o país enfrenta o problema da fome, e a estimativa é de que até 5 milhões dos cerca de 13 milhões de zimbabuanos precisem de doações de alimentos nos próximos meses.

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