Morte de adolescente causa tumultos na Grécia

Milhares de manifestantes atacaram, neste domingo, bancos e lojas na capital da Grécia, Atenas, e na cidade de Salônica, no norte do país, em protestos contra a morte de um adolescente baleado por policiais.

Os manifestantes usaram bombas incendiárias, pedras e outros objetos para a atacar a polícia, que respondeu com gás lacrimogênio.

As ruas da capital Atenas ficaram cobertas de vidros quebrados e entulho depois de uma noite de conflitos, que começaram após a morte do adolescente, no sábado, no bairro de Exarchia.

Em um comunicado, a polícia afirmou que os tumultos deixaram pelo menos 24 policiais feridos, sendo que um deles seriamente, e 31 lojas, nove bancos e 25 carros danificados ou queimados.

Pelo menos seis pessoas foram presas, uma delas por estar portando uma arma.

Alex Hadjisavvas, dono de uma loja que fica na Avenida Patission, uma das principais do centro de Atenas, disse à BBC que muitas lojas também foram saqueadas.

"As vitrines foram quebradas e uma grande quantidade de mercadorias foi retirada pelos manifestantes e usada para começar incêndios nas ruas", afirmou.

Os tumultos, os piores na Grécia em anos, se espalharam pela cidade de Salônica, no norte do país e pela ilha de Creta, no sul.

Raiva Segundo o correspondente da BBC, Malcolm Brabant, depois de uma trégua nos conflitos, na manhã de domingo, jovens fizeram uma marcha até o quartel-general da polícia, na avenida Alexandras.

Eles passaram por perto do local onde o adolescente Andreas Grigoropoulos, de 15 anos, foi morto no último sábado. Alguns cartazes que eles carregavam chamavam os policiais de "assassinos".

Um dos manifestantes, que estava no lado de fora do Museu Nacional, disse à BBC que ele estava irritado com as ações da polícia.

"Não é a primeira vez. Eles sempre matam pessoas, imigrantes, gente inocente, e sem nenhuma justificativa. Eles mataram (o adolescente) a sangue frio", disse.

" Eu acho que a violência é justificada. Manifestações pacíficas não podem solucionar o problema. Eles precisam sentir a pressão das pessoas para não fazerem isso novamente".

Como muitos esperavam, a marcha se tornou violenta, com manifestantes jogando coquetéis molotov contra a polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogênio.

Bancos e lojas foram atacados e um supermercado e pelo menos um carro foram incendiados. Conflitos foram registrados também nos arredores do Parlamento.

Em Salônica, uma manifestação de cerca de mil pessoas também resultou em violência.

Os manifestantes entraram em confronto com a polícia e atacaram lojas, bancos e carros de canais de TV gregos.

Há também notícias não confirmadas de que um policial ficou ferido em protestos na cidade de Patras, no oeste do país. Carros e lojas também teriam sido atacados.

Renúncia Horas antes, o ministro do Interior, Prokopis Pavlopoulos, pediu moderação aos manifestantes e disse lamentar a morte do adolescente.

"Todos têm direito de se manifestar e lutar por seus direitos. Mas, sem destruir a propriedade alheia, sem lançar ataques contra pessoas que não têm nenhuma culpa".

Tanto Pavlopoulos como o vice-ministro do Interior, Panagiotis Chinofotis, pediram renúncia após os protestos, mas elas não foram aceitas pelo primeiro-ministro Costas Karamanlis.

O premiê também pediu publicamente desculpas ao pais do adolescente morto.

"Eu sei que nada pode aliviar sua dor, mas eu garanto que o Estado vai agir para que a tragédia do último sábado não se repita", disse.

Dois policiais foram suspensos e um inquérito já foi aberto.

O adolescente teria sido morto depois que um grupo de 30 jovens cercou um carro da polícia e apedrejou o veículo, no sábado.

Um deles tentou atirar uma bomba de gasolina e um policial disparou três vezes, acertando o jovem no peito.

Violência Na semana passada ocorreram choques em Atenas entre a polícia e estudantes, quando cerca de 4 mil pessoas participaram de uma manifestação contra uma proposta de reforma na educação. A polícia prendeu 12 pessoas depois que um grupo de manifestantes violentos se separou do protesto e quebrou fachadas de bancos e lojas.

De acordo com Malcolm Brabant o último episódio no bairro de Exarchia deve aumentar os choques entre a polícia e os grupos de esquerda do local.

Em 1985 um episódio semelhante deu origem a anos de violência no bairro.

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