EUA saúdam oferta portuguesa sobre Guantánamo

Um alto oficial americano descreveu como um "passo significativo" a oferta de Portugal de dar asilo a alguns dos prisioneiros do centro de detenção de Guantánamo.

John Bellinger, conselheiro legal da secretaria de Estado americana, disse à BBC nesta sexta-feira que a oferta é o primeiro avanço em meio a recusa de países europeus de ajudar no fechamento da prisão.

Os Estados Unidos liberaram entre 50 e 60 detentos, mas não podem repatriá-los por causa do risco de abusos em seus países de origem.

O presidente eleito Barack Obama prometeu que vai fechar Guantánamo logo depois de tomar posse, em janeiro, mas ainda não se sabe o que acontecerá com os cerca de 250 homens detidos lá.

Em uma carta enviada na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores português, Luis Amado, disse que a União Européia deveria "enviar um sinal claro de nossa disposição em ajudar os Estados Unidos a resolver esse problema, principalmente recebendo detentos".

"Chegou a hora de a União Européia dar um passo adiante", disse.

A Albânia é o único país até agora que aceitou detentos de Guantánamo, recebendo cinco membros da etnia chinesa Uighur em 2006.

Casos sérios Bellinger disse que a oferta pública do governo português foi "uma iniciativa muito significativa que nós recebemos muito bem".

Ele afirmou que há entre 50 e 60 "casos sérios" em Guantánamo, incluindo vários homens da etnia Uighur, que não podem ser repatriados por causa de preocupações com a situação dos direitos humanos em seus países.

"Os Uighurs foram adequadamente detidos, eles estavam em campos de treinamento (...) mas eles queriam lutar contra os chineses. Então não há dúvidas de que tínhamos a autoridade correta para prendê-los", disse Bellinger à BBC.

"Desde que determinamos quem eles eram, e que não tinham a intenção de lutar contra nós, estamos tentando libertá-los. Mas a China é o único país que os quer de volta." O governo chinês vem combatendo os dissidentes Uighurs, que acusa de buscarem a independência de sua região, na província de Xinjiang, no leste da China.

Bellinger afirmou que as leis de imigração americanas tornam extremamente difícil recebê-los nos Estados Unidos, e por isso comemorava a "primeira quebra de gelo na resistência européia em tentar ajudar".

Em outubro, um juiz federal ordenou que o governo permitisse que 17 Uighurs presos em Guantánamo vivessem nos Estados Unidos, mas a transferência deles está sendo paralisada por apelos judiciais.

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