Luciano Corrêa é bronze na Copa de judô do Japão

O judoca brasileiro Luciano Corrêa deu a volta por cima, depois de uma decepcionante participação nas Olimpíadas de Pequim, e conquistou a medalha de bronze na Copa Jigoro Kano, em Tóquio, neste domingo.

"Foi um ano voltado para os Jogos Olímpicos, treinei bastante e estava bem preparado", disse o atleta à BBC Brasil logo após a vitória. "Enquanto me concentrava só pensava que não poderia voltar ao Brasil sem medalha alguma, por isso a comemoração com gostinho a mais no final da luta", completou.

De fato, Corrêa vibrou bastante com a vitória sobre o japonês Hidekazu Inomata, o qual venceu por pontos. Ele havia perdido a luta anterior, que valia a vaga para a final, para o japonês Takamasa Anai. Golpe perfeito Faltando apenas dois segundos para acabar a luta, o brasileiro levou um ippon - golpe perfeito. O japonês ficou com o ouro da categoria. "Fiquei chateado com uma segunda falta que tomei, acabei me desconcentrando, parti para cima e levei o ippon. Judô tem dessas coisas mesmo", lamentou o lutador.

A frustração é porque Corrêa tinha passado fácil pela fase classificatória. Precisou de menos de 30 segundos para imobilizar o atleta de Taiwan Pu-Yung Huang logo na estréia. Depois, imprimiu seu ritmo na segunda luta, contra o forte adversário Daniel Brata, da Romênia, e venceu por pontos.

"Este torneio é um dos mais fortes do mundo e foi muito bom encerrar o ano com esta vitória", disse o campeão. No ano passado, neste mesmo torneio, ele voltou para casa com um bronze também. Agora, o judoca se prepara para o Mundial na categoria absoluto na França, que disputa semana que vem. Desde que conquistou uma vaga na seleção adulta masculina, em 2005, o medalhista de ouro do Mundial do Rio, no ano passado, defende a tradição brasileira dos meio-pesados (até 100 kg).

A categoria é a que deu mais vitórias ao judô do Brasil em Olimpíadas, entre elas a primeira da história da modalidade, o bronze de Chiaki Ishii em 1972, e o primeiro ouro, com Aurélio Miguel em 1988.

"Quero dar continuidade a esse caminho de sucesso na categoria e espero que depois de mim venham outros campeões", falou.

Único representante Corrêa foi o único representante brasileiro neste mundial, no qual só participam atletas convidados. Outros dois judocas também tinham sido convidados, mas João Derly, bicampeão mundial dos meio-leves, não foi ao Japão por causa de um problema no joelho. Já a medalhista de bronze em Pequim Ketleyn Quadros teve de ficar para defender o clube no Grand Prix feminino, em Belo Horizonte.

A Copa Jigoro Kano, considerada a mais importante depois dos Jogos Olímpicos e do Mundial, marcou também o início de uma nova era para o judô. A partir do ano que vem o esporte terá, a exemplo do tênis, Grand Slams, sistema de ranking e premiação em dinheiro aos atletas.

O objetivo da Federação Internacional de Judô (FIJ) é conquistar mais espaço na mídia e, assim, ganhar mais adeptos ao esporte. Os torneios serão disputados em quatro pólos (França, Rússia, Brasil e Japão). Somente os judocas que obtiverem o melhor desempenho no ranking garantirão vaga para as Olimpíadas de Londres, em 2012.

Para o chefe da delegação brasileira que foi ao Japão, Carlos Eurico Pereira, estas mudanças serão benéficas ao Brasil. "Assim como os japoneses, damos valor à técnica e, numa competição internacional, às vezes, nem sempre o melhor atleta se destacava", opinou o dirigente. "Agora, com as mudanças nas regras, as lutas ficaram mais dinâmicas", completou.

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