Mentor de genocídio em Ruanda é condenado à prisão perpétua

O Tribunal Internacional Criminal da ONU para Ruanda, baseado na Tanzânia, sentenciou nesta quinta-feira o ex-coronel do Exército ruandês Theoneste Bagosora à prisão perpétua por instigar o genocídio no país em 1994.

Bagosora e outros dois réus foram considerados culpados por liderarem um comitê de extremistas hutus que planejou o massacre de tutsis e hutus moderados. Em 1994, cerca de 800 mil pessoas morreram nas mãos de milícias hutus em apenas cem dias.

Além de Bagosora, os comandantes militares Anatole Nsegiyumva e Alloys Ntabakuze também foram condenados à prisão perpétua.

Segundo a acusação do tribunal, Bagosora e os outros dois militares conspiraram para "criar um plano com a intenção de exterminar a população civil tutsi e eliminar membros da oposição".

O tribunal rejeitou o argumento da defesa de que o massacre não foi organizado e, portanto, não seria genocídio.

Esquadrões Bagosora, de 67 anos, está preso desde 1996. Ele foi detido em Camarões.

A promotoria afirmou que ele teve um papel importante no planejamento do extermínio de tutsis e hutus moderados e estabeleceu a milícia Interahamwe, gangues de extremistas hutus que executaram boa parte das mortes.

Segundo os promotores, Bagosora assumiu a chefia política e militar em Ruanda depois que o avião do presidente hutu Juvenal Habyarimana foi derrubado em 1994, levando à sua morte.

A queda do avião acabou desencadeando o genocídio, pois muitos hutus responsabilizaram os tutsis pela sua derrubada. Bagosora teria organizado a distribuição de armas e facões que se transformariam nas ferramentas do genocídio. Ele também teria ajudado a esboçar um documento que circulou em meios militares, que afirmava que os tutsis eram "o inimigo principal".

O general canadense Romeo Dallaire, chefe das tropas de paz da ONU na época do genocídio, deu seu depoimento no tribunal e afirmou que Bagosora era o "chefe" por trás do genocídio e o ameaçou de morte. Vinte anos O Tribunal Internacional Criminal da ONU para Ruanda condenou também nesta quinta-feira um cunhado do ex-presidente Juvenal Habyarimana a 20 anos de prisão por seu envolvimento no genocídio de 1994.

Protais Zigiranyirazo pertenceu ao esquadrão da morte envolvido em centenas de mortes no país. Ele foi acusado de ordenar membros da etnia hutu a matar 48 pessoas em dois incidentes separados.

O tribunal na Tanzânia condenou Zigiranyirazo a 20 anos de prisão por genocídio e extermínio de Tutsis, mas já afirmou que ele vai incluir os sete anos que ele já passou na prisão.

As condenações devem ser bem recebidas pelo governo de Ruanda, que passou a considerar o tribunal como elemento-chave no processo de reconciliação de justiça no país, segundo Greste.

O tribunal na Tanzânia começou em 2002, previsto para durar apenas dois anos, mas deve encerrar suas atividades apenas em 2009.

Até agora, o tribunal decidiu por 33 condenações e cinco absolvições.

As conseqüências do genocídio ainda são sentidas na região , em particular na fronteira de Ruanda com a República Democrática do Congo.

Milícias hutus envolvidas no massacre fugiram para o Congo, onde rebeldes tutsis, supostamente com o apoio do governo ruandês, se recusam a depor suas armas alegando sofrer ataques de combatentes hutus.

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