'Voltar de mãos vazias, nem pensar', diz ex-leão-de-chácara

O santista Wagner Menezes Moreira passou do sonho dos euros ao naufrágio da crise espanhola em apenas dois meses. Ele começou trabalhando como leão-de-chácara em duas discotecas de Madri, mas perdeu o emprego depois que a prefeitura da capital espanhola fechou quatro clubes noturnos em uma semana. Atualmente, Moreira ganha a vida em uma vaga temporária de embalador de bagagens no aeroporto da capital espanhola.

O ex-bancário, de 28 anos, já trabalhou como vendedor, relações públicas e professor de capoeira na Espanha.

Apesar de morar no país há oito anos e estar com documentação legal desde 2006, ele não consegue encontrar emprego fixo. O governo municipal passou a exigir mais documentação das casas noturnas, entre elas formação profissional para os seguranças, depois que uma briga acabou na morte de um adolescente e na prisão de três porteiros de uma discoteca em novembro.

"Nesta leva caiu muita gente, a maioria imigrantes, porque era só ter um contato conhecido, saber alguma luta marcial e estar em forma que davam trabalho", disse ele à BBC Brasil. "Sei de muitos brasileiros que 'dançaram', porque quase ninguém que tem formação de segurança aceita trabalhar como porteiro de boate, ganhando uma mixaria. Agora estão preferindo os profissionais e praticamente só tem espanhol", disse. O trabalho de embalador de bagagens é apenas um extra para o período de fim de ano, quando a demanda aumenta no aeroporto de Barajas, em Madri. "Um bico de 680 euros (cerca de R$ 2 mil) mensais que caiu do céu, mas acaba em fevereiro. Estou correndo atrás, mas por enquanto não estou achando nada", afirmou. "Até o início do ano eu até passava trabalhos para gente conhecida que vinha chegando, agora está apertando. Mas eu confio no jeitinho brasileiro, a gente acaba se virando de um jeito ou de outro", completou Moreira, que descarta voltar para o Brasil apesar da crise.

Como muitos imigrantes que entraram na anistia do governo em 2006, ele acha que depois de conseguir os documentos para morar e trabalhar na Europa, não compensa abandonar o continente e o "sonho dos euros". O governo espanhol dá ajuda financeira aos interessados em retornar aos seus países de origem numa tentativa de tirar do país, até o fim de 2009, cerca de 150 mil estrangeiros em situação legal. "Voltar para pior não dá. Quero voltar um dia, quando estiver bem melhor e puder abrir um negócio lá no Brasil", contou o brasileiro. "De mãos vazias nem pensar", disse.

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