Justiça argentina autoriza libertação de 14 ex-militares

Uma corte da Argentina autorizou na quinta-feira a libertação de 14 homens acusados de cometer abusos dos direitos humanos durante o governo militar no país.

Eles foram soltos sob pagamento de fiança, depois de terem passado mais de dois anos na prisão sem julgamento.

Os acusados atuavam na Escola de Mecânica da Marinha (ESMA, na sigla em espanhol), o maior centro de detenção clandestino de Buenos Aires durante o governo militar, de 1976 a 1983.

"Uma vez mais, membros da Justiça ordenam a liberdade de pessoas que envergonham a Argentina e a humanidade. Hoje é um dia de vergonha para o nosso sistema judicial", disse a presidente Cristina Fernandez de Kirchner em um discurso para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos na própria ESMA.

Crimes Durante o regime militar, as autoridades argentinas seqüestraram, torturaram e mataram dezenas de milhares de pessoas.

Muitos desses crimes ocorreram na ESMA, como o seqüestro de bebês de prisioneiras, que eram dados a militares sem filhos.

Entre os ex-militares libertados nesta quinta-feira estão Alfredo Astiz e Jorge Acosta, dois dos principais responsáveis pela prisão clandestina.

Astiz já foi, inclusive, condenado à prisão perpétua pela Justiça da França, pelo seqüestro, tortura e desaparecimento de duas freiras francesas na Argentina.

Segundo o correspondente da BBC em Buenos Aires, Daniel Schweimler, a libertação dos militares decepcionou as famílias das vítimas do regime militar e as organizações de defesa dos direitos humanos argentinas, que vêm há anos tentando punir os responsáveis pelos abusos.

A corte disse que os militares libertados ainda serão levados a julgamento.

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