Empresários querem Brasil mais independente do Mercosul

Empresários presentes no 2º Encontro Brasil-União Européia, no Rio de Janeiro, disseram nesta segunda-feira que o Brasil vem perdendo oportunidades de comércio bilateral com outros países em função de "amarras" do Mercosul e defenderam que o país tenha liberdade para fechar acordos com mais independência do bloco.

"Nesse momento, infelizmente, eu vejo o Brasil com uma bola de ferro no pé", disse o ex-ministro da Indústria e Comércio e presidente do Conselho da Sadia, Luiz Fernando Furlan.

Segundo o ex-ministro, o Brasil está "querendo correr, tendo um grande número de países fazendo propostas, mas (está) amarrado a essa situação".

Uma das alternativas, segundo empresários, seria permitir que os países do Mercosul fizessem acordos comerciais com outras economias de fora do bloco.

De acordo com Furlan, os países poderiam permitir, no âmbito do Mercosul, que alguns acordos bilaterais, em determinadas situações, fossem aceitos. "Vamos deixar o Uruguai fazer um acordo com os Estados Unidos e nós fazemos os acordos que queremos", sugeriu o empresário.

No ano passado, Uruguai e Estados Unidos assinaram o Acordo Marco de Comércio e Investimentos (Tifa, na sigla em inglês), que poderá levar a um tratado de livre comércio entre os dois países.

Flexibilidade O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, também é a favor de uma maior "flexibilização" do Mercosul. Segundo ele, é preciso estar mais "desamarrado".

"O bloco é um grande parceiro nosso e pode continuar dessa forma. Mas isso não pode nos impedir de seguir outros caminhos, como, por exemplo um acordo bilateral entre Brasil e União Européia", disse.

Para Monteiro, a diplomacia comercial brasileira tem "valorizado muito" o multilateralismo, mas ele precisa ser "mais pragmático".

"Precisamos olhar nossos interesses e utilizar mais os acordos bilaterais. O que nós constatamos hoje é que há países que vêm tendo dinamismo maior nas exportações justamente porque se utilizam mais de acordos bilaterais", disse Monteiro Neto.

Problemas Furlan disse ainda que o Brasil "cresceu demais" nos últimos dez anos e que a nova posição brasileira no cenário internacional vai de encontro a algumas demandas do Mercosul.

"Está na hora de o Brasil olhar o seu futuro combinando a convivência mercosulina com o interesse nacional", disse.

O ex-ministro disse que sempre se considerou um "entusiasta" do Mercosul, mas que nos últimos anos o bloco "deu uma parada". "Em vez de ter uma agenda estratégica, de ampliação, o bloco passou a se reunir para resolver problemas." Na semana passada, durante a Cúpula de chefes de Estado do Mercosul, o governo brasileiro defendeu uma proposta para extinção da cobrança múltipla da Tarifa Externa Comum (TEC), mas o Paraguai foi contra, por temer perda de receita.

A simplificação da cobrança da TEC era uma das condições para a concretização de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia, que vem sendo negociado desde 2004.

A Argentina, outro parceiro no bloco, tem-se mostrado contrária às propostas dos países ricos para a conclusão da Rodada Doha de liberalização do comércio global. O acordo é considerado prioridade pela diplomacia comercial brasileira.

Questionado sobre a possibilidade de sucesso de um acordo comercial Brasil e União Européia, Furlan se mostrou reticente. "Não sei. Até porque eles também são lá um balaio de gatos", disse.

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