Somália foi a pior tragédia de 2008, diz MSF

A crise da Somália foi a pior tragédia humana de 2008, segundo a lista das 10 piores tragédias, publicada anualmente pela organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras.

Os combates entre forças pró-governo e milícias islâmicas já fizeram com que mais de um milhão de pessoas deixassem suas casas no país. Cerca de um terço da população - 3 milhões de pessoas - depende de doações de comida, mas os ataques de piratas e de militantes tornam cada vez mais difícil o trabalho das agências humanitárias e ONGs como a Médicos Sem Fronteiras na Somália. A MSF, fundada em 1971, declarou que neste ano teve que trabalhar em muitos países onde as circunstâncias estão cada vez piores e mais ameaçadoras.

Além do conflito na Somália, a ONG cita os conflitos em Darfur (Sudão), República Democrática do Congo, Zimbábue, Paquistão, Mianmar e Iraque, além da desnutrição infantil, a Aids e a tuberculose nos países em desenvolvimento.

O diretor da MSF nos Estados Unidos, Nicolas de Torrente, disse à BBC que a lista tem como objetivo chamar a atenção para os lugares onde as pessoas sofrem mais.

"A questão para nós é como chegar até essas pessoas e como tentar provê-las com alguma assistência substancial, mais aí encontramos muitos obstáculos", disse ele.

"Os governos não querem nossa presença - eles temem a exposição que vem com ela. Eles querem negar assistência àquelas populações e, cada vez mais, vemos ataques, ataques direcionados, contra os trabalhadores de missões de ajuda." Na Somália, os ataques diretos e as ameaças contra os trabalhadores sociais restringiram as operações humanitárias no país, provocando a retirada de trabalhadores internacionais e reduzindo significativamente a ajuda para a população, já debilitada.

A mesma coisa ocorre no noroeste do Paquistão, afirma a organização, prejudicando a ajuda prestada àqueles que fogem das lutas.

A MSF indica que a segurança na região de Darfur, no Sudão, também piorou consideravelmente em 2008, e como resultado, centenas de milhares de pessoas continuam sem acesso à ajuda humanitária.

Na República Democrática do Congo, a falta de segurança também tornou muitos locais muito perigosos para os trabalhadores humanitários.

A ONG destacou ainda as crises em Mianmar e Zimbábue. Em Mianmar, centenas de milhares de pessoas morreram de Aids porque o governo não tomou as medidas necessárias.

No Zimbábue, a inflação galopante deixou muitos soropositivos sem ter sequer o dinheiro da passagem de ônibus para uma visita à clínica, disse Torrente.

As outras crises incluem a desnutrição infantil em todo o mundo e um déficit de ajuda no Iraque.

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