Golpistas anunciam toque de recolher na Guiné

Os militares por trás de um golpe de Estado na Guiné, no oeste da África, decidiram impor nesta quarta-feira um toque de recolher durante a noite em todo o país.

O toque de recolher valerá entre as 20h e as 6h e, segundo o correspondente da BBC na vizinha Gana, Will Ross, não é novidade para a população do país.

No ano passado, o Exército adotou medida semelhante para conter uma revolta contra o então presidente, Lansana Conte - cuja morte, na segunda-feira à noite, antecedeu o golpe.

Também nesta quarta-feira, os militares golpistas nomearam o capitão Moussa Kamara como chefe da junta militar que tomou o poder. Apesar disso, a situação no país permanece confusa e não se sabe ao certo quem está no comando do país.

Em uma mensagem de rádio, membros da junta lançaram uma advertência contra militares contrários ao golpe que estejam tentando recrutar mercenários para lutar contra os golpistas.

Bloco regional
O bloco econômico regional, a Ecowas (Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano, na sigla em inglês), anunciou nesta quarta-feira que irá enviar uma delegação à Guiné na quinta para convencer o Exército a restabelecer a ordem constitucional.

O golpe foi condenado em uma reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, que decidiu manifestar seu completo apoio à missão da Ecowas.

Na terça-feira, o Exército guineano anunciou a dissolução do governo e a suspensão da Constituição do país, poucas horas depois da morte de Conte.

Mas o primeiro-ministro, Ahmed Tidiane Souare, disse que o governo civil ainda é a autoridade legítima na Guiné. Ele e outros membros de seu governo estão sendo protegidos por tropas leais ao Parlamento.

O correspondente da BBC em Conacri Alhassan Sillah disse que soldados estão fazendo patrulha em postos de controle nas principais estradas de acesso ao centro da cidade, e que as ruas permanecem calmas.

Segundo ele, uma fonte militar teria afirmado que apenas uma minoria de soldados se opõe à intervenção militar e que os líderes do golpe estariam tentando conquistar o apoio desse grupo em reuniões na capital.

Luto
Lansana Conte, que morreu aos 74 anos, deve ser enterrado na sexta-feira. Ele comandou o país na África Ocidental com mão de ferro desde 1984. As circunstâncias da morte ainda não são conhecidas. Sabe-se que ele sofria de diabetes.

Após sua morte, o primeiro-ministro Souare fez, em rede nacional de TV, um apelo por calma à população e declarou 40 dias de luto nacional.

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