Ataques de Israel matam mais de 200 em Gaza, dizem palestinos

Caças F-16 israelenses realizaram nas últimas horas uma onda de ataques contra a Faixa de Gaza, deixando mais de 200 mortos, de acordo com fontes médicas palestinas.

Os ataques, que também teriam deixado centenas de feridos, são os mais intensos realizados por Israel em meses e se seguem ao fim, neste mês, do acordo de cessar-fogo entre o governo israelense e o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Imagens exibidas pela TV mostram cenas de caos nas ruas da Faixa de Gaza e pessoas ensangüentadas sendo levadas para hospitais.

Fontes médicas em Gaza disseram que a maioria das vítimas dos ataques são policiais ligados ao Hamas, mas haveria também mulheres e crianças.

Israel alega ter lançando os ataques como retaliação pelos ataques com foguetes lançados da Faixa de Gaza contra o sul de seu território. Militantes palestinos realizam esse tipo de ataque freqüentemente, e grande número de disparos foi efetuado nos últimos dias, causando vítimas do lado israelense.

Falando ao canal de TV BBC World, Mark Regev, porta-voz do governo israelense, disse que os ataques foram feitos com avançada tecnologia para evitar ao máximo vítimas inocentes. Ele também disse que o número de mortos informado pelos palestinos pode estar sendo inflado para efeitos de propaganda.

O Hamas prometeu buscar uma revanche pelos ataques e lançou mais ataques contra o território israelense, matando pelo menos uma pessoa na cidade de Netivot.

Alvos Os bombardeios atingiram várias áreas na Faixa de Gaza, visando os locais mais povoados: a Cidade de Gaza, Khan Younis e Rafah. Em um comunicado, as forças armadas israelenses disseram que os ataques tiveram como alvo membros do Hamas responsáveis por operações de "terror", além de campos de treinamento de militantes e depósitos de armas.

A maioria das vítimas teriam sido atingidas na Cidade de Gaza e, entre os mortos, acredita-se que esteja Tawfik Jaber, diretor da polícia da Faixa.

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, disse que não havia outra alternativa a não ser lançar os ataques. "Nós estamos fazendo o que temos que fazer para defender nossos cidadãos", disse.

Por sua vez, o ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que a ofensiva "não será fácil e não será curta", e indicou que ela poderá ser "aprofundada e ampliada conforme for necessário".

"Eu garanto que a escolha de resistir em todas as formas será nossa principal prioridade, defender o povo palestino e reagir a esta agressão, fazendo os invasores sionistas pagar por seus crimes planejados e sistemáticos contra o povo palestino. Nós não vamos aceitar viver em um banho de sangue e entre pedaços de corpos", disse o porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum.

1967 Segundo um analista da BBC, se o balanço de mortos e feridos revelado por fontes palestinas se confirmar, este pode ter sido o pior ataque israelense contra a Faixa de Gaza desde 1967, em termos de número de vítimas.

O acordo de cessar-fogo de seis meses entre Israel e o Hamas expirou no dia 19 deste mês. O Hamas culpou Israel pela não renovação do tratado, dizendo que o governo israelense não cumpriu a promessa de levantar o bloqueio à Faixa de Gaza.

Com o bloqueio, Israel permite a entrada de poucos itens na Faixa de Gaza, tornando a vida muito difícil para os palestinos. O governo israelense diz que ele é necessário para isolar e pressionar o Hamas.

Israel disse que chegou a começar a levantar as restrições, mas voltou atrás ao ver que os palestinos não estavam cumprindo o que prometeram, parar com os disparos de foguetes contra alvos israelenses e abandonar o contrabando de armas.

Reações Na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas - cuja facção política, o Fatah, foi afastada do governo da Faixa de Gaza pelo Hamas em 2007 - condenou os ataques e pediu calma.

O presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que os ataques israelenses foram assustadores e convocou uma reunião de emergência da organização para discutir a escalada da violência. A reunião deve ser realizada neste domingo, no Cairo.

"Agora estamos lidando com uma situação muito perigosa e real, uma grande tragédia humana... Haverá muitas vítimas em Gaza e os árabes precisam assumir uma posição", disse Moussa.

Por sua vez, o governo dos Estados Unidos manteve a posição de que Israel tem o direito de se defender, mas pediu que o país faça tudo o possível para preservar a vida de inocentes.

"Os contínuos ataques de foguetes do Hamas contra Israel precisam acabar para a violência acabar", disse o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe.

De acordo com o Departamento de Estado, Israel "agiu com relutância" ao lançar os ataques para proteger sua própria população dos ataques de foguetes.

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