Israel bombardeia túneis no sul de Gaza

Jatos israelenses bombardearam cerca de 40 túneis no sul da Faixa de Gaza, no segundo dia de intensos ataques aéreos para tentar forçar o Hamas a por um fim ao lançamento de foguetes por militantes palestinos contra alvos em Israel.
  • Said Khatib/AFP

    Ataques provocam desespero e medo na faixa de Gaza


Israel diz que os túneis bombardeados na área próxima à cidade de Rafah eram usados para contrabandear armas ao território palestino. Os palestinos dizem que eles eram usados para trazer suprimentos do Egito.

Entre outros alvos dos ataques israelenses deste domingo estiveram o quartel-general das forças de segurança do Hamas, a sede de um canal de TV de propriedade do grupo islâmico e uma mesquita.

Médicos palestinos dizem que os ataques, iniciados no sábado, mataram mais de 280 pessoas.

Em resposta aos ataques israelenses, militantes palestinos dispararam foguetes do tipo Qassam contra Israel, matando um israelense na cidade de Netivot, 20 km ao leste da Faixa de Gaza.

Israel diz que os militantes lançaram 110 foguetes contra seu território.

O governo israelense alertou que poderá iniciar operações militares por terra na Faixa de Gaza, se os disparos com foguetes por militantes palestinos contra alvos em Israel não cessarem.

O governo também mobilizou reservistas para reforçar o Exército. Em entrevista à BBC, o ministro da defesa de Israel, Ehud Barak, disse que uma invasão do Exército no território palestino poderia ser iniciada "se o (grupo militante palestino) Hamas não mudar seu comportamento".

'Massacre'
Se o número de mortos for confirmado na Faixa de Gaza, o dia de sábado terá sido o mais sangrento na história do território palestino. Um greve geral foi convocada nos territórios palestinos enquanto moradores da cidade de Gaza se preparam para realizar funerais.

O líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, acusou Israel de ter promovido "um massacre" e convocou uma nova intifada, ou levante, contra Israel.

O Conselho de Segurança da ONU fez um apelo pelo fim imediato da violência na Faixa de Gaza.

Em uma sessão de emergência, o Conselho pediu que os dois lados envolvidos no conflito se empenhem para resolver a crise no território palestino, onde vivem um milhão e meio de pessoas, a grande maioria delas em situação precária, com escassez de alimentos, remédios e combustível.

A embaixadora de Israel na ONU, Gabriela Shalev, disse que Israel estava agindo para "proteger seus cidadãos de ataques terroristas"."Nenhum país iria permitir os contínuos ataques com foguetes contra sua população civil sem tomar as ações necessárias para impedir isso", disse ela.

O governo americano culpou o Hamas pela nova onde de violência na região. "Nós condenamos de forma veemente os ataques repetidos com foguetes e tiros de morteiro contra Israel e consideramos o Hamas responsável por romper o cessar-fogo e pela retomada da violência. O cessar-fogo deve ser restaurado imediatamente e respeitado em sua integridade", diz um comunicado da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

'Tempo para luta'
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, advertiu no sábado que a ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza "pode demorar algum tempo".

"Há um tempo para trégua e um tempo para a luta, e agora é o momento da luta", disse o premiê em uma coletiva em Tel Aviv. "Todos nós estamos preparados para encarar o fardo e as dores que são parte inseparável desta situação."

Os ataques com caças F-16, que também teriam deixado centenas de feridos, são os mais intensos realizados por Israel em meses e se seguem ao fim, neste mês, do acordo de cessar-fogo entre o governo israelense e o Hamas.

Imagens exibidas pela TV mostraram cenas de caos nas ruas da Faixa de Gaza e pessoas ensangüentadas sendo levadas para hospitais.

Funcionários do principal hospital de Gaza disseram que as salas de cirurgia estão superlotadas, que os remédios estão acabando e que não há cirurgiões suficientes.

Fontes médicas em Gaza disseram ainda que a maioria das vítimas dos ataques são policiais ligados ao Hamas, mas haveria também mulheres e crianças.

Olmert e a chanceler israelense, Tzipi Livni, enfatizaram que as forças israelenses estão procurando minimizar o número de vítimas entre os civis - "muito embora isso seja difícil", disse Livni.

"Nós atacamos apenas alvos que são parte de organizações ligadas ao Hamas", disse Olmert.

'Alvos'
Os bombardeios de sábado atingiram várias áreas na Faixa de Gaza, visando os locais mais povoados: a Cidade de Gaza, Khan Younis e Rafah.
Em um comunicado, as forças armadas israelenses disseram que os ataques tiveram como alvo membros do Hamas responsáveis por operações de "terror", além de campos de treinamento de militantes e depósitos de armas.

A maioria das vítimas teriam sido atingidas na Cidade de Gaza e, entre os mortos, acredita-se que esteja Tawfik Jaber, diretor da polícia da Faixa.

Antes da coletiva, Livni disse que não havia outra alternativa a não ser lançar os ataques. "Nós estamos fazendo o que temos que fazer para defender nossos cidadãos", disse.

O acordo de cessar-fogo de seis meses entre Israel e o Hamas expirou no dia 19 deste mês. O Hamas culpou Israel pela não renovação do tratado, dizendo que o governo israelense não cumpriu a promessa de levantar o bloqueio à Faixa de Gaza.

Com o bloqueio, Israel permite a entrada de poucos itens na Faixa de Gaza, tornando a vida muito difícil para os palestinos. O governo israelense diz que ele é necessário para isolar e pressionar o Hamas.

Israel disse que chegou a começar a levantar as restrições, mas voltou atrás ao ver que os palestinos não estavam cumprindo o que prometeram, parar com os disparos de foguetes contra alvos israelenses e abandonar o contrabando de armas.

'Reações'
Na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas - cuja facção política, o Fatah, foi afastada do governo da Faixa de Gaza pelo Hamas em 2007 - condenou os ataques e pediu calma.

O presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que os ataques israelenses foram assustadores e convocou uma reunião de emergência da organização para discutir a escalada da violência. A reunião deve ser realizada neste domingo, no Cairo.

"Agora estamos lidando com uma situação muito perigosa e real, uma grande tragédia humana... Haverá muitas vítimas em Gaza e os árabes precisam assumir uma posição", disse Moussa.

Por sua vez, o governo dos Estados Unidos manteve a posição de que Israel tem o direito de se defender, mas pediu que o país faça tudo o possível para preservar a vida de inocentes.

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