Cidades de Israel enfrentam constantes ataques de foguete

Moradores de comunidades israelenses próximas à Faixa de Gaza enfrentam uma onda de ataques de foguetes de militantes palestinos em resposta aos ataques aéreos de Israel ao território.

Cerca de 150 foguetes e morteiros foram lançados, a maioria no sábado, desde que Israel iniciou sua operação, matando uma pessoa e deixando cerca de 12 feridas.

No domingo, moradores da cidade de Netivot, no sul de Israel, sepultaram Beber Vaknin, morto aos 58 anos.

O metalúrgico estava de pé na entrada de seu apartamento no sábado, quando um foguete atingiu o terceiro andar do prédio do outro lado da rua. Fragmentos de metal se alojaram em seu coração.

Fotos mostraram um rombo em uma das paredes do prédio, que traziam também marcas de fragmentos metálicos.

Zion Mor-Yossef, que vive no andar de cima de Vaknin, disse à BBC em entrevista por telefone que o ataque foi "um grande choque".

"Nós estamos todos aterrorizados", disse ele.

Como muitos dos cerca de 250 mil moradores da região ao alcance de foguetes e morteiros, a esposa e os filhos de Mor-Yossef deixaram sua casa temendo mais ataques.

"Eu tinha que ficar porque eu trabalho aqui. Se eu não ficar e não ganhar dinheiro, ninguém vai", disse Mor-Yossef.

Linha de fogo A maior parte do arsenal dos militantes palestinos é composta de foguetes improvisados - pouco mais do que canos com abas metálicas soldadas na ponta, cheios de explosivos.

Embora eles raramente matem, são projetados para isso e são lançados indiscriminadamente. Em uma ocasião foram lançados em um momento que coincidiu com a hora de ingresso dos alunos na escola.

Os moradores de comunidades na linha de fogo se acostumaram a planejar suas vidas em torno dos locais onde há abrigos de concreto reforçado.

Com apenas 15 segundos de alerta, os que vivem em um raio de 10 quilômetros da Faixa de Gaza sabem que precisam correr para se abrigar assim que as sirenes de "Código Vermelho" soam.

Os que estão mais longe têm até 45 segundos para correr.

No domingo, pela primeira vez, os moradores de Ashdod, a pouco mais de 30 quilômetros da Faixa de Gaza, ouviram pelo menos dois foguetes que cairam perto de sua cidade.

Autoridades israelenses alertaram os moradores da área que militantes na Faixa de Gaza aumentaram o alcance de suas armas nos últimos meses, enquanto o Hamas elevou seu nível de ameaça.

Um dos mísseis atingiu uma cooperativa agrícola: "Nós ouvimos a sirene, e minutos depois ocorreu uma explosão muito barulhenta", disse um morador ao jornal israelense Yediot Ahronot. "A casa inteira tremeu. Nós não tínhamos nenhum lugar para ir porque não temos quartos reforçados." Há um abrigo a uma distância de várias casas daqui, mas não pudemos chegar a ele.

'Ansiedade' Ao sul de Ashdod, a cidade de Ashkelon também enfrentou mais retaliação depois que duas pessoas ficaram levemente feridas com a queda de dois foguetes - um deles entre dois prédios e o outro perto de um shopping center.

Daniela Afriat, uma professora, disse à BBC que ficou confinada a sua casa por horas à noite enquanto as forças de segurança tentaram desarmar um foguete que não explodiu ao cair diante do seu apartamento, que fica no quinto andar.

"Nós vivemos em ansiedade. As crianças estão muito amedrontadas. Elas ficam dizendo ' Mãe, vamos embora'." Mas ela disse que está "muito contente que a operação na Faixa de Gaza tenha sido lançada": "Mesmo com todas as dificuldades, em ser mãe e ficar aterrorizada, eu acho que isso tinha que ser feito." Em Sderot, a maior cidade perto da Faixa de Gaza, que vem sendo atingida nos últimos anos, alguns moradores expressaram um sentimento de resignação, de ter se acostumado a barragens periódicas de foguetes.

David Saidov, um estudante da cidade, disse que seu colégio foi fechado, mas a vida, embora tensa, continuou "quase como normal".

"As ruas estão desertas, embora a maioria das empresas estejam abertas. Há uma sensação de medo no ar", disse ele.

"Nós estamos com muito medo do que o Hamas está preparando para as pessoas de Sderot", afirmou, manifestando esperança de que as Forças de Defesa Israelenses tomem providências.

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