Rebeldes 'mataram mais de 400 no Congo', diz ONG

A organização humanitária católica Caritas acusou rebeldes de Uganda de matar mais de 400 pessoas no norte da República Democrática do Congo desde o dia de Natal.

Segundo o diretor da organização no Congo, Bruno Mitewo, cerca de 20 mil pessoas foram forçadas a fugir para as montanhas por temer ações dos rebeldes do grupo Exército de Resistência do Senhor (ERS), que negam ter realizado ataques na região.

Mitewo disse à BBC que recebeu as informações das paróquias na região e que em apenas um vilarejo, Doruma, na fronteira da República Democrática do Congo com o Sudão, 215 pessoas teriam sido assassinadas.

"Todos os vilarejos (atacados) foram queimados pelos rebeldes", disse. "Não sabemos ao certo onde está a população porque os vilarejos estão vazios." Lábios cortados Algumas das vítimas teriam morrido com golpes de facão, e outras, empurradas em fogueiras.

Uma testemunha disse que cinco pessoas foram hospitalizadas depois que tiveram os lábios cortados como advertência para que não falem mal dos rebeldes.

"Nós temos quase 6,5 mil pessoas fora de suas casas que estão refugiadas nas paróquias da Igreja Católica ao redor da cidade de Dundu, e mais de 20 mil pessoas que estão correndo paras as montanhas", disse Mitewo.

O diretor da Caritas disse que muitos que estão escondidos na mata devem ser crianças, já que o ERS é conhecido por seqüestrá-las e obrigá-las a se juntar ao grupo.

Relatos de massacres realizados pelo ERS na República Democrática do Congo começaram a surgir nos últimos dias. No fim de semana, o Exército de Uganda acusou os rebeldes de matar 45 civis em uma Igreja Católica perto de Doruma. Também neste caso, o ERS negou as acusações.

De acordo com a ONU, pelo menos 189 pessoas morreram durante a semana passada em diferentes ataques atribuídos aos rebeldes.

Os exércitos de Uganda, do sul do Sudão e da República Democrática do Congo realizaram uma ofensiva conjunta contra o ERS na metade de dezembro, depois que o líder do grupo, Joseph Kony, se recusou a assinar um acordo de paz.

História O ERS vem lutando contra o governo de Uganda há 21 anos e é conhecido por sua brutalidade.

O grupo é acusado de já ter obrigado milhares de crianças a se juntar aos rebeldes, muitas vezes forçando-as a matar os próprios pais. Além disso, o ERS também enfrenta a acusação de mutilar suas vítimas.

Kony é procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.

Segundo o analista da BBC para assuntos africanos Martin Plaut, Kony aparenta ter como objetivo "purificar" seu próprio povo, o grupo étnico acholi, que mora na região norte de Uganda e também em partes da República Democrática do Congo e do Sudão.

Kony usaria referências bíblicas para justificar a necessidade de matar membros de seu grupo étnico, alegando que muitos deles não apóiam sua causa.

O governo do sul do Sudão vem mediando negociações de paz entre o governo de Uganda e os rebeldes.

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