Análise: Busca por trégua em Gaza desafia diplomacia

A diplomacia desempenhou um breve papel no conflito na Faixa de Gaza, com a proposta de um cessar-fogo de 48 horas, sobre o qual poderia ser construído um acordo de caráter mais permanente.

O plano, no entanto, foi rejeitado por ministros israelenses com a justificativa de que não é permanente e poderia dar ao grupo palestino Hamas uma oportunidade de se reorganizar.

Os ataques israelenses, então, prosseguem, com a possibilidade de uma operação terrestre cada vez mais próxima.

Ao mesmo tempo, o Hamas continua a lançar foguetes contra o território israelense, inclusive alguns de seus novos artefatos de maior alcance baseados no antigo sistema soviético Grad, também conhecido como Katyusha.

Esse tipo de artefato representa uma ameaça consideravelmente maior para Israel. Na manhã desta quarta-feira, uma escola (vazia) em Beersheba foi atingida.

Divisão O plano realmente pareceu dividir a liderança israelense de certo modo, talvez prenunciando discussões futuras sobre quando reduzir o ritmo da ofensiva militar.

Segundo relatos, o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e a ministra do Exterior, Tzipi Livni, se opuseram à idéia, mas o ministro da Defesa, Ehud Barak (que chegou a declarar que seu país travaria uma guerra até as últimas conseqüências contra o Hamas), estaria inclinado a avaliar a proposta.

No fim, eles concordaram em manter os ataques, mas a questão de como um cessar-fogo poderia ser colocado em prática e que condições poderiam ser impostas está agora em aberto.

A proposta de cessar-fogo foi apresentada pelo ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, com quem geralmente se pode contar para oferecer sugestões criativas em meio a crises.

A França também ocupa atualmente a Presidência rotativa da União Européia (cargo no qual será substituída à meia-noite desta quarta-feira pela República Checa) e usou essa posição para fazer com que os ministros do Exterior do bloco emitissem um comunicado pedindo um cessar-fogo. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também pode estar se envolvendo no assunto.

Ao mesmo tempo, o Quarteto (grupo formado por União Européia, Estados Unidos, Nações Unidas e Rússia) também apoiou um cessar-fogo, ao contrário do que fez durante a guerra entre Israel e o Líbano.

Então, há certa pressão sobre Israel e, apesar de os israelenses não gostarem de receber conselhos do exterior, eles são obrigados a ouvi-los, especialmente a voz de Washington.

Controle A questão principal parece ser se o Hamas pode ou não ser persuadido a se comprometer com um novo cessar-fogo permanente. O grupo talvez também tenha de se comprometer a interromper o contrabando de armas, uma condição praticamente impossível de ser aceita.

Israel poderia argumentar que suas ações modificaram a natureza do confronto em Gaza e tornaram possível impor novamente um cessar-fogo - que o Hamas encerrou - em seus próprios termos.

No entanto, o Hamas manteria o controle de Gaza, já que os danos ao grupo palestino podem ser reparados rapidamente. As esperanças de Israel de destruir o Hamas como uma força militar viável seriam desfeitas.

Também seria desfeita, ao menos momentaneamente, a intenção estratégica de Israel de colocar a Faixa de Gaza novamente sob o comando da Autoridade Palestina, cujas forças controlam a Cisjordânia e cujos líderes estão negociando um acordo de paz com Israel. E quanto ao Hamas? O grupo levou um golpe com o ataques surpresa de Israel no último sábado. Deve agora considerar se é de seu interesse desenvolver uma tática da terra arrasada de resistência a qualquer custo ou se é melhor aceitar os termos de um acordo que pelo menos o manteria no controle de Gaza.

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