Israel permite saída de estrangeiros da Faixa de Gaza

O Exército israelense começou a permitir que estrangeiros deixem a Faixa de Gaza sete dias após o início da ofensiva no território palestino.

Segundo o correspondente da BBC em Israel Paul Wood, cerca de 100 pessoas já passaram pelo posto de fronteira de Erez, que liga Gaza a Israel. A expectativa é de que outras 200 pessoas ainda passem pelo local até o fim do dia. A maioria dos estrangeiros que cruza a fronteira é de mulheres casadas com palestinos, e crianças, acrescentou o correspondente. "Há pessoas de Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e outros países do leste europeu nesta situação", disse Wood.

Uma família que morava no último andar de um prédio disse ao correpondente que via os bombardeios de Israel constantemente.

"Um dia a família recebeu um telefonema com uma mensagem gravada dizendo: 'A casa ao lado está prestes a ser bombardeada. Vocês têm cinco minutos para fugir'", relatou o repórter.

Uma fonte do Exército israelense confirmou que a corporação já enviou cerca de "90 mil mensagens como esta" em um gesto que visa a minimizar a morte de civis.

Alguns palestinos, no entanto, acreditam que a estratégia é parte de uma "guerra psicológica" para baixar o moral dos moradores de Gaza. Israel está impedindo que jornalistas estrangeiros entrem em Gaza e declarou a área em volta do território uma "zona militar fechada". Incursão por terra Israel afirma que concluiu nesta sexta-feira os preparativos para uma possível ofensiva por terra. Desde o início dos confrontos, no sábado passado, um grande número de tanques e soldados israelenses vinham se concentrando na fronteira com a Faixa de Gaza. Ainda de acordo com o correspondente da BBC há um "sentimento crescente" de que Israel deva realizar algum tipo de operação por terra já que o Hamas continua lançando foguetes contra cidades fronteiriças com Gaza, no sul do país.

O governo israelense reforçou a segurança em antecipação a manifestações convocadas pelo Hamas contra bombardeios israelenses em Gaza. Líderes do grupo pediram aos palestinos que realizem um "dia do ódio" nesta sexta-feira.

Em resposta, a polícia israelense foi posicionada em toda Jerusalém Oriental e foram impostas restrições ao movimento de palestinos na Cisjordânia.

As incursões israelenses em Gaza, que já deixaram mais de 400 mortos segundo fontes palestinas, continuam mobilizando milhares de pessoas em vários países. No Egito, 300 pessoas fizeram um protesto ao lado de uma mesquita no Cairo. Em Jacarta, na Indonésia, cerca de cinco mil pessoas fizeram uma manifestação próximo à embaixada dos Estados Unidos. Mobilizações semelhantes foram realizadas em Sydney, na Austrália, e no Irã. Ataques Na manhã desta sexta-feira, Israel atacou mais alvos em Gaza, inclusive uma mesquita, um dia depois que Nizar Rayyan, um dos principais líderes do movimento palestino Hamas, foi morto em um bombardeio. Militantes palestinos voltaram a lançar foguetes contra Israel, de acordo com as autoridades israelenses. Ambos os lados ignoraram apelos internacionais por um cessar-fogo. A principal agência das Nações Unidas que opera na Faixa de Gaza, UNWRA, reiniciou na quarta-feira a distribuição de alimentos na região, mas advertiu que a situação humanitária no território é preocupante. A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, disse na quinta-feira que não há necessidade de um cessar-fogo por razões humanitárias pois mais caminhões carregados de suprimentos estão entrando em Gaza. Em declarações em Paris, após reunião com o presidente francês Nicolas Sarkozy, Livni disse que o Hamas usou a trégua anterior de seis meses, que terminou em meados de dezembro, para se rearmar. O Hamas disse que Israel precisa suspender o bombardeio e seu bloqueio à Faixa de Gaza antes que o movimento estude a possibilidade de um cessar-fogo.

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