Operação em Gaza pode ajudar governo israelense em eleições

As operações israelenses na Faixa de Gaza podem ajudar a manter no poder a atual coalizão que governa Israel após as eleições marcadas para fevereiro, segundo a opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil.

O sucesso eleitoral dos partidos do governo, porém, está condicionado a um desfecho rápido para o conflito e que seja considerado pela opinião pública israelense como uma clara vitória sobre o Hamas.

"A operação em Gaza certamente traz implicações eleitorais, mas a extensão disso vai depender do resultado da operação", afirma o analista Mark Heller, do Centro Jaffer para Estudos Estratégicos, da Universidade de Tel Aviv. Uma pesquisa de opinião publicada nesta quinta-feira pelo jornal Haaretz mostrou uma elevação significativa no índice de apoio ao minoritário partido Trabalhista, do ex-premiê e atual ministro da Defesa, Ehud Barak.

De acordo com a pesquisa, se as eleições fossem hoje a atual coalizão de centro entre os trabalhistas e o Kadima, da ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, conseguiria manter a maioria das cadeiras no Parlamento (Knesset).

Antes do início das operações em Gaza, as pesquisas mostravam uma vantagem por grande margem para a coalizão de direita liderada pelo Likud, do ex-premiê Binyamin Netanyahu.

Fator "A política interna israelense certamente foi um dos fatores para os ataques", considera Mouin Rabbani, analista-sênior para o Oriente Médio do International Crisis Group, baseado na Jordânia.

"Um dos maiores desafios para Barak e Livni era o fato de que Netanyahu (que defendia uma posição mais dura contra os palestinos) estava à frente nas pesquisas", avalia. "A popularidade de Barak (antes dos ataques) estava tão baixa que ele se tornou uma não-entidade." David Newman, professor de política na Universidade Ben Gurion, em Beersheva, adverte porém que as posições dos três principais partidos em relação ao Hamas são semelhantes, tornando sutil o impacto do conflito sobre o panorama eleitoral. Segundo ele, a não ser em um caso improvável de uma rápida vitória militar ou de uma derrota iminente, o impacto do conflito sobre as pesquisas deve ser de apenas alguns pontos percentuais - que no caso da acirrada política israelense, podem ser determinantes para a vitória de um grupo ou de outro.

Mouin Rabbani, do International Crisis Group, lembra ainda o exemplo da guerra de Israel contra o Hezbollah, no Líbano, em 2006, quando a popularidade do então ministro da Defesa e líder do Partido Trabalhista, Amir Peretz, chegou a 80% para em seguida despencar com o fracasso das operações.

"Qualquer pesquisa de opinião deve ser vista com reservas. Ainda falta mais de um mês para as eleições, então muita coisa pode mudar, dependendo do rumo da guerra", disse ele, que não descarta um adiamento da votação caso o conflito se arraste por muito tempo sem uma solução clara.

Apesar de considerarem o impacto político da operação, porém, Newman e Heller avaliam que o momento do ataque foi determinado mais pelas ações do Hamas, com o fim do cessar-fogo unilateral, do que pelo calendário eleitoral.

"As operações tiveram uma motivação política no sentido de que um governo democrático deve obedecer aos anseios da opinião pública, que era favorável a uma ação contra o Hamas após o fim do cessar-fogo", diz Heller. "Mas não creio que o calendário eleitoral tenha sido um fator nessa decisão." Para Rabbani, porém, o governo israelense vinha forçando o conflito desde novembro, quando ameaçou com uma ação terrestre contra a Faixa de Gaza após ataques do Hamas com foguetes contra seu território.

As eleições israelenses estão marcadas para o dia 10 de novembro. O pleito foi convocado após a renúncia, em setembro, do atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, pressionado por crescentes investigações sobre corrupção.

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