Tropas israelenses dividem Gaza em dois; ofensiva já matou mais de 500 palestinos

As forças israelenses, que iniciaram no sábado uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, avançam no território palestino com apoio naval e aéreo e já cercaram a Cidade de Gaza.

CONFLITO EM GAZA: 9º DIA

  • EFE

    Soldados de Israel reunem-se antes do início da invasão terrestre a Gaza, na noite do dia 3

  • Fadi Adwan/AP - 4.jan.2009

    Menina palestina chora em funeral de parente morto em ataque aéreo israelense

  • Sebastian Scheiner/AP - 4.jan.2009

    Soldados israelenses participam de invasão à faixa de Gaza

Fontes militares de Israel e testemunhas afirmaram que tanques israelenses tomaram posições de ambos os lados da Faixa de Gaza, dividindo o território em dois, da passagem de Karni até o Mar Mediterrâneo. A cidade de Beit Hanoun também foi cercada.

Neste domingo, a ação israelense em Gaza entrou no nono dia consecutivo. Há uma semana, Israel vinha atacando a Faixa de Gaza com aviões e navios. Na noite de sábado, comboios de veículos de guerra israelenses atravessaram a fronteira sob escolta de helicópteros.

O governo israelense afirma que a operação tem como objetivo impedir que o grupo militante palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, continue lançando foguetes contra seu território.

Vítimas

Segundo o Ministério da Saúde palestino, 509 palestinos, a maioria civis, foram mortos desde o início dos ataques israelenses, em 27 de dezembro. Outras 2,5 mil pessoas ficaram feridas.

Mais de 70 palestinos morreram desde o início da ofensiva terrestre, entre eles 21 crianças, conforme o ministério.

Do lado israelense, foi confirmada a morte de um soldado desde o início da ação terrestre. De acordo com o Exército de Israel, outros 34 soldados ficaram feridos, três deles em estado grave.

O Exército afirma que 80% dos mortos na ofensiva terrestre eram militantes do Hamas. O grupo palestino afirma que 10 de seus combatentes foram mortos.

Apesar da ofensiva terrestre, militantes palestinos continuam lançando foguetes contra o território israelense. Nas últimas horas, pelo menos 32 mísseis foram lançados contra sul de Israel. Duas pessoas ficaram levemente feridas na região de Eshkol e outra na cidade de Sderot.

Na Cisjordânia, houve novos protestos violentos contra a ofensiva israelense. Segundo fontes médicas, um palestino foi morto a tiros por tropas israelenses que enfrentaram manifestantes perto da cidade de Qalqilya.

Blecautes

Na noite deste domingo, diversos blecautes deixaram a maior parte da Faixa de Gaza no escuro. No entanto, as luzes das explosões podiam ser vistas claramente na fronteira ao norte do território, e o som regular de tiros também podia ser ouvido.

Segundo correspondentes, ao longo do dia os combates se deslocaram do norte do território em direção a áreas mais populosas no oeste.

De acordo com membros do Hamas e testemunhas, os principais combates estão ocorrendo em cinco áreas: a leste do campo de refugiados de Jabaliya; em Zeitoun, a leste da Cidade de Gaza; na rodovia costeira próxima ao antigo assentamento judaico de Netzarim, ao sul da Cidade de Gaza; no centro de Gaza e nas proximidades da cidade de Khan Younis, no sul.

O Hamas afirmou que seus combatentes estão, em alguns casos, envolvidos em batalhas "cara a cara" com soldados israelenses.

O Exército israelense havia dito anteriormente que os militantes palestinos não estavam envolvidos em combates diretos com os soldados, mas usando morteiros e bombas improvisadas.

Como Israel continua impedindo a entrada de jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza, muitos dos relatos sobre o conflito não podem ser confirmados.

As ruas estão desertas, com dezenas de edifícios destruídos pelos bombardeios, entre eles a sede do Parlamento do Hamas.

As ambulâncias tiveram dificuldades para chegar às vítimas à medida que a luta se intensificava no território superadensado onde vivem 1,5 milhão de pessoas.

Ajuda humanitária

Segundo o correspondente da BBC na Cidade de Gaza, Rushdi Abu Alouf, os combates interromperam o envio de suprimentos médicos aos hospitais.

O ministro da Saúde palestino, Fathi Abumoghli, disse que o Exército israelense estava restringindo a movimentação de ambulâncias, fazendo com que feridos morressem antes de receber socorro. Segundo Abumoghli, um médico e dois paramédicos também foram mortos.

A organização de ajuda humanitária Oxfam também afirmou que um paramédico de uma organização parceira foi morto e outros dois feridos por uma bomba.

A Oxfam disse que foi obrigada a suspender seus trabalhos, mantendo apenas auxílio médico emergencial, devido à falta de suprimentos.

Israel afirma que 400 caminhões carregados com ajuda humanitária puderam entrar na Faixa de Gaza desde o início dos ataques. No entanto, muitas agências que atuam no território dizem que a quantidade não é suficiente.

Reações

República Tcheca admite "grave erro" de porta-voz sobre conflitos em Gaza

O ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, admitiu neste domingo em Praga o "grave erro" cometido por um porta-voz da presidência tcheca da União Européia (UE).

Jiri Frantisek Potuznik, porta-voz do primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, para a presidência da UE, afirmara no sábado que "trata-se do cruzamento da fronteira de Gaza. Não há violência, nem vítimas. Estamos aguardando informações suplementares, e esperamos mais detalhes".

O vice-presidente americano, Dick Cheney, defendeu neste domingo a ação terrestre israelense.

Em entrevista à rede de TV americana CBS, Cheney disse que ataques aéreos não eram suficientes para destruir as bases de onde os militantes palestinos lançam foguetes contra Israel.

Cheney também afirmou que Israel não buscou o aval americano para lançar sua ofensiva terrestre.

O presidente de Israel, Shimon Peres, rejeitou apelos por um cessar-fogo, mas disse que seu país não pretende reocupar a Faixa de Gaza nem destruir o Hamas.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse estar fazendo todo o possível para interromper a "cruel agressão" israelense.

Uma missão da União Européia foi enviada à região. Segundo o chefe de Política Externa do bloco, Javier Solana, a crise na Faixa de Gaza representa um fracasso da diplomacia.

* Com as agências APF, Efe e Reuters

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