Missões europeias tentam mediar trégua em Gaza

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, se encontra nesta segunda-feira no Cairo com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, como parte de duas iniciativas europeias para tentar mediar um cessar-fogo na Faixa de Gaza, onde uma operação militar israelense entra em seu décimo dia.

SARKOZY É ESPERADO NO EGITO E NEGOCIARÁ TRÉGUA

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, é esperado no Egito em uma missão diplomática que busca uma trégua na Faixa de Gaza, dentro dos esforços internacionais para evitar uma escalada da tensão no Oriente Médio. Sarkozy se reunirá no final do dia de hoje com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, na cidade turística de Sharm el-Sheikh, no extremo sul da Península do Sinai.

Sarkozy segue depois para encontros em Jerusalém, Ramallah, na Cisjordânia, e na capital síria, Damasco. Uma outra delegação, da União Européia, liderada pelo ministro do Exterior da República Tcheca, Karel Schwartzenberg, também manteve reuniões com lideranças egípcias no Cairo.

Enquanto isso, o Exército israelense segue avançando na Faixa de Gaza. Há notícia de que cerca de 40 tanques israelenses estão se dirigindo à cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.

Palestinos dizem que dois adultos e cinco crianças foram mortos, somando-se às mais de 500 pessoas que já morreram desde que a ofensiva começou, há dez dias.

Segundo representantes do Hamas, dez de seus combatentes foram mortos até agora na ofensiva por terra. Os militares israelenses, por sua vez, afirmam que um de seus soldados morreu e 34 ficaram feridos.

Ajuda humanitária
Depois de conversações com o ministro do Exterior do Egito, Ahmed Abul Gheit, Schwartzenberg apelou para que Israel suspenda o bombardeio à Faixa de Gaza e para que os militantes palestinos parem de lançar foguetes em território israelense.

Gheit disse que há necessidade urgente de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Há ainda notícias de que o movimento palestino, Hamas, pretende enviar uma delegação ao Egito a convite de Mubarak, que mediou o cessar-fogo entre o Hamas e Israel expirado no mês passado.

A Comissária para Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, disse que é vital fazer chegar alimentos e suprimentos médicos na Faixa de Gaza para garantir que hospitais estejam em condições de funcionar.

Israel disse que vai permitir a entrada de mais ajuda humanitária em Gaza, entregue por 80 caminhões carregados de comida e remédios.

Em outra iniciativa, o emissário da Presidência da Rússia, Alexander Saltanov, reuniu-se com a ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, no domingo, mas não conseguiu persuadi-la a aceitar Moscou como mediador em negociações com o Hamas.

O analista de assuntos internacionais da BBC, Jonathan Marcus, disse que é improvável que toda esta atividade diplomática traga resultados rápidos.

Segundo Marcus, Israel não deverá suspender as operações antes de conseguir seus objetivos militares e o Hamas dificilmente irá capitular, como mostra seu lançamento contínuo de foguetes contra alvos no sul de Israel.

Vítimas
O Ministério da Saúde palestino afirma que 509 palestinos, a maioria civis, foram mortos desde o início dos ataques israelenses, em 27 de dezembro. Outras 2,5 mil pessoas ficaram feridas. Mais de 70 palestinos morreram desde o início da ofensiva terrestre, entre eles 21 crianças, conforme o ministério.

Do lado israelense, foi confirmada a morte de um soldado desde o início da ação terrestre. De acordo com o Exército de Israel, outros 34 soldados ficaram feridos, três deles em estado grave.

O Exército afirma que 80% dos mortos na ofensiva terrestre eram militantes do Hamas. O grupo palestino afirma que 10 de seus combatentes foram mortos. Apesar da ofensiva terrestre, militantes palestinos continuam lançando foguetes contra o território israelense.

Nas últimas horas, pelo menos 40 mísseis foram lançados contra sul de Israel. Duas pessoas ficaram levemente feridas na região de Eshkol e outra na cidade de Sderot.

Na Cisjordânia, houve novos protestos violentos contra a ofensiva israelense. Segundo fontes médicas, um palestino foi morto a tiros por tropas israelenses que enfrentaram manifestantes perto da cidade de Qalqilya.

Blecautes
Na noite deste domingo, diversos blecautes deixaram a maior parte da Faixa de Gaza no escuro. No entanto, as luzes das explosões podiam ser vistas claramente na fronteira ao norte do território, e o som regular de tiros também podia ser ouvido.

Segundo correspondentes, ao longo do dia os combates se deslocaram do norte do território em direção a áreas mais populosas no oeste.
De acordo com membros do Hamas e testemunhas, os principais combates estão ocorrendo em cinco áreas: a leste do campo de refugiados de Jabaliya; em Zeitoun, a leste da Cidade de Gaza; na rodovia costeira próxima ao antigo assentamento judaico de Netzarim, ao sul da Cidade de Gaza; no centro de Gaza e nas proximidades da cidade de Khan Younis, no sul.

O Hamas afirmou que seus combatentes estão, em alguns casos, envolvidos em batalhas "cara a cara" com soldados israelenses.

O Exército israelense havia dito anteriormente que os militantes palestinos não estavam envolvidos em combates diretos com os soldados, mas usando morteiros e bombas improvisadas.

Como Israel continua impedindo a entrada de jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza, muitos dos relatos sobre o conflito não podem ser confirmados.

Segundo o correspondente da BBC na Cidade de Gaza, Rushdi Abu Alouf, os combates interromperam o envio de suprimentos médicos aos hospitais.
O ministro da Saúde palestino, Fathi Abumoghli, disse que o Exército israelense estava restringindo a movimentação de ambulâncias, fazendo com que feridos morressem antes de receber socorro. Segundo Abumoghli, um médico e dois paramédicos também foram mortos.

A organização de ajuda humanitária Oxfam também afirmou que um paramédico de uma organização parceira foi morto e outros dois feridos por uma bomba.

A Oxfam disse que foi obrigada a suspender seus trabalhos, mantendo apenas auxílio médico emergencial, devido à falta de suprimentos. Israel afirma que 400 caminhões carregados com ajuda humanitária puderam entrar na Faixa de Gaza desde o início dos ataques. No entanto, muitas agências que atuam no território dizem que a quantidade não é suficiente.

Reações
O vice-presidente americano, Dick Cheney, defendeu neste domingo a ação terrestre israelense. Em entrevista à rede de TV americana CBS, Cheney disse que ataques aéreos não eram suficientes para destruir as bases de onde os militantes palestinos lançam foguetes contra Israel.

Cheney também afirmou que Israel não buscou o aval americano para lançar sua ofensiva terrestre. O presidente de Israel, Shimon Peres, rejeitou apelos por um cessar-fogo, mas disse que seu país não pretende reocupar a Faixa de Gaza nem destruir o Hamas.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse estar fazendo todo o possível para interromper a "cruel agressão" israelense. Uma missão da União Européia foi enviada à região. Segundo o chefe de Política Externa do bloco, Javier Solana, a crise na Faixa de Gaza representa um fracasso da diplomacia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos