Disputa entre Rússia e Ucrânia afeta suprimento de gás para Europa

Vários países europeus disseram ter sofrido interrupções em seu suprimento de gás da Rússia depois que Moscou reduziu o envio pela Ucrânia, acusando o país de estar roubando gás e de não pagar contas.

A Turquia afirma que todo o suprimento de gás vindo via Ucrânia foi suspenso. A Romênia anunciou uma redução de 75%. A Bulgária, a Grécia e a Macedônia também foram afetadas.

A gigante de energia russa Gazprom afirma que a Ucrânia fechou três dos quatro gasodutos que suprem gás russo para a União Europeia, mas o governo ucraniano nega, alegando que corte foi feito no fornecimento pela empresa russa.

A Comissão Europeia afirma que o corte no suprimento é "totalmente inaceitável" e o atribuiu a uma disputa comercial entre os dois países, sem apontar um culpado.

O gás é um dos principais combustíveis de calefação em vários países europeus - e o continente enfrenta, no momento, um inverno rigoroso.
Gasodutos
A Rússia é responsável por cerca de 25% do gás consumido na União Europeia, e cerca de 80% desse gás é enviado pelos gasodutos ucranianos.

Na semana passada, a Rússia reduziu o envio de gás para a Ucrânia em um quinto, por conta de uma disputa sobre contas não pagas.

Em seu último comunicado, a Gazprom acusou a Ucrânia pelo fechamento "sem precedentes" de seus gasodutos de trânsito. A empresa afirma que só está conseguindo enviar 40 milhões de metros cúbicos de gás para a Europa, quando o volume normal seria de 225 milhões.

A companhia de energia austríaca OMV disse que vai começar a usar suas reservas depois que o suprimento caiu para 10% do nível normal.

A Bulgária, que é quase totalmente dependente do gás russo enviado via Ucrânia, afirma que seu suprimento é suficiente apenas para alguns dias.

"Situação de crise"
Nesta terça-feira a empresa estatal de gás da Ucrânia, a Naftogaz, afirmou que a Rússia recentemente cortou o envio de gás em mais de dois terços e listou nove países, entre eles Alemanha, Polônia e Hungria, que poderão ter seu suprimento reduzido.

"A Naftogaz da Ucrânia considera que nos casos de usuários europeus receberem um volume menor de gás natural, todas as queixas devem ser direcionadas diretamente à Gazprom", diz a companhia em seu website.

O governo da Bulgária está em negociações de emergência para decidir qual o próximo passo no que chamou de "situação de crise".

Os suprimentos para a República Checa também caíram significativamente durante a noite, e a Croácia, que importa 40% de seu gás, afirmou que o suprimento de gás russo via Ucrânia foi completamente suspenso.

UE
Em um comunicado nesta terça-feira, um porta-voz da Comissão Europeia disse que "sem uma advertência prévia e em contradição clara com as garantias dadas pelas mais altas autoridades russas e ucranianas à União Europeia, os suprimentos de gás para alguns Estados membros da UE foram substancialmente cortados - essa situação é completamente inaceitável".

"A presidência Checa da UE e a Comissão Europeia exigem que os suprimentos de gás sejam restaurados imediatamente para a UE e que os dois lados retomem já as negociações, com o objetivo de encontrar uma solução definitiva para sua disputa comercial bilateral."
Os novos Estados membros da UE no centro e leste europeu são extremamente - e em alguns casos totalmente - dependentes do gás russo. Ainda assim, a Alemanha e a Itália juntas respondem por quase metade do consumo de gás russo na EU.

A Gazprom acusa a Ucrânia de estar roubando 65,3 milhões de metros cúbicos de gás diariamente, mas a Ucrânia nega, alegando que problemas técnicos estão prejudicando o fluxo para a Europa.

A Gazprom ainda acusa a Ucrânia de dever mais de US$ 600 milhões em contas não pagas e os dois lados ainda não chegaram a um acordo sobre o preço do gás a ser exportado em 2009.

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