Conselho de Segurança pede cessar-fogo em Gaza

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na noite desta quinta-feira uma resolução que pede um cessar-fogo imediato nas hostilidades em Gaza, seguido por uma retirada das forças israelenses da região.

A resolução, esboçada pela Grã-Bretanha, foi aprovada por catorze dos quinze membros do órgão. O governo dos Estados Unidos, tradicional aliado de Israel, preferiu se abster da votação, embora a secretária de Estado, Condoleezza Rice, tenha classificado a resolução como "um passo à frente". Ela afirmou que, no entanto, os EUA preferem esperar os resultados da mediação egípcia no conflito.

O texto da resolução também solicita o livre acesso de agências de auxílio humanitário a Gaza e pede que os países-membros intensifiquem os esforços para fazer com que se alcance uma trégua duradoura. Entre as medidas para isto, segundo o texto, está o combate ao contrabando de armas na fronteira de Gaza. Este foi o primeiro ato do CS desde o início da ofensiva israelense, em 27 de dezembro. Discussões Condoleezza Rice e os ministros das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, e da França, Bernard Kouchner, passaram o dia em intensas negociações com os representantes dos países árabes.

Pouco antes da votação, os três países acabaram retirando sua oposição a uma resolução que pedia um cessar-fogo imediato na região. Nas discussões anteriores, EUA, França e Grã-Bretanha, defendiam que o CS apresentasse um documento mais ameno. "Esta noite, finalmente, as Nações Unidas estão falando claramente a uma só voz. A ONU está pedindo claramente por um cessar-fogo, por uma ação contra o contrabando de armas (para o Hamas) e pela abertura das fronteiras (de Gaza)", disse o ministro britânico David Miliband.

A resolução contempla uma das demandas de Israel, que exige o fim do contrabando de armamentos pelo Hamas na fronteira de Gaza com o Egito. Já o Hamas exige que um acordo de trégua inclua o fim do bloqueio a Gaza.

Enquanto isso, os esforços por um acordo de cessar-fogo continuam sob a mediação egípcia no Cairo.

Um alto-funcionário da Defesa israelense encontra-se no Cairo para ouvir os detalhes da proposta de trégua elaborada pelo Egito e a França, enquanto uma delegação do Hamas é esperada na cidade para "discussões paralelas".

Novos ataques Enquanto o Conselho de Segurança votava a resolução, Israel aparentemente empreendeu novos ataques contra a Faixa de Gaza.

Segundo autoridades médicas palestinas, pelo menos seis pessoas teriam morrido na ofensiva desta noite.

Em uma informação que não pôde ser confirmada de maneira independente, o Hamas afirmou que uma bomba teria destruído um bloco de apartamentos de cinco andares ao sul de Gaza.

Cerca de 700 palestinos e uma dezena de israelenses morreram até agora na ofensiva.

Interrupção na ajuda humanitária Nesta quinta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou ter suspendido suas operações de ajuda humanitária na Faixa de Gaza devido ao perigo que seus funcionários correm com os ataques israelenses.

"Nós suspendemos nossas operações em Gaza até que as autoridades israelenses possam garantir a nossa segurança", disse o porta-voz da agência da ONU para refugiados palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), Chris Gunness.

"Nossas instalações foram atingidas, nossos funcionários foram mortos, apesar do fato de as autoridades israelenses terem as coordenadas sobre nossas instalações e de todos os nossos movimentos serem coordenados com o Exército israelense", acrescentou.

"É com grande pesar que a UNWRA foi forçada a tomar essa difícil decisão", completou Gunness. A UNWRA comunicou a decisão depois que uma pessoa foi morta e duas ficaram feridas em um ataque israelense contra uma empilhadeira da agência, perto da passagem de Erez. Cruz Vermelha Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza. Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza.

Junto aos cadáveres, segundo a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpos de suas mães.

A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio.

"Esse é um incidente chocante", disse o chefe de operações da Cruz Vermelha para Israel e territórios palestinos, Pierre Wettach, em um comunicado. "O Exército de Israel deve ter tomado conhecimento da situação, mas não prestou assistência aos feridos", acrescentou. "E também não permitiu que nós e as equipes do Crescente Vermelho levássemos auxílio aos feridos."

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