ONU retomará operação de ajuda humanitária em Gaza

A agência de auxílio aos refugiados palestinos da Organização das Nações Unidas (UNRWA, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira que vai retomar suas operações na Faixa de Gaza "assim que possível", depois de receber de Israel garantias de segurança a seus funcionários, informou uma porta-voz.

Segundo a porta-voz Michele Montas, os militares israelenses deram "garantias de que a segurança do pessoal da ONU, suas instalações e as operações de ajuda humanitária serão completamente respeitadas".

O anúncio foi feito um dia depois de a UNRWA ter suspendido os trabalhos de distribuição de alimentos na região, após um ataque israelense ter atingido membros de sua equipe, matando um motorista e ferindo outro.

"Em uma reunião nesta sexta-feira no Ministério da Defesa de Israel, em Tel Aviv, a ONU foi informada de que o incidente que levou à suspensão temporária nos trabalhos foi lamentado e não reflete a política oficial do governo (israelense)", disse a agência em um comunicado. Segundo a agência, cerca de 750 mil palestinos são beneficiados pela distribuição de auxílio humanitário.

Resolução ignorada Enquanto isso, tanto Israel quanto o grupo militante palestino Hamas ignoraram nesta sexta-feira a resolução do Conselho de Segurança da ONU que pede um cessar-fogo imediato no conflito que já dura duas semanas.

Novos foguetes foram lançados pelo Hamas contra o sul de Israel, mas não foram registrados mortos ou feridos.

Já a Força Aérea israelense continuou a empreender ataques contra o que classifica como alvos ligados ao Hamas em Gaza.

O primeiro-ministro de Israel justificou a continuidade da ofensiva afirmando que os novos ataques do Hamas mostram que a resolução da ONU é "impraticável".

Já membros do gabinete do ministro da Defesa, Ehu Barak, afirmaram que "os militares vão continuar a proteger os civis israelenses e a empreender missões".

O Hamas alegou ter rejeitado o pedido do Conselho de Segurança por um cessar-fogo imediato porque não foi consultado sobre a resolução, que também não seria do "interesse" do povo palestino. Em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse "decepcionado com a continuidade da violência em terra, em desacordo com a resolução do CS da ONU da última quinta-feira".

Crime de guerra Em outro desenvolvimento, a Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que uma suposta falha dos militares israelenses em socorrer feridos na Faixa de Gaza pode constituir um crime de guerra.

Ele se refere a uma denúncia feita pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha de que uma de suas equipes teria encontrado crianças que teriam ficado junto aos corpos de suas mães depois de elas terem sido mortas em um ataque israelense perto da Cidade de Gaza.

"O incidente descrito pela Cruz Vermelha é comprometedor, porque tem todos os elementos que constituem um crime de guerra", disse ela à BBC. "Há uma obrigação de proteger os feridos, tratar os doentes, removê-los para um lugar seguro. Segundo a Cruz Vermelha, os soldados israelenses não fizeram nada para (ajudar) essas quatro crianças e mais um adulto que estavam muito fracos para poderem se movimentar".

A ONU pediu que observadores de direitos humanos sejam levados para Gaza, Israel e para a Cisjordânia para que estas violações possam ser documentadas de maneira independente.

Perguntada sobre se Israel estaria desrespeitando os direitos humanos em Gaza, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, afirmou que é difícil para Israel garantir a segurança de civis porque a região é densamente povoada. Os Estados Unidos são um tradicional aliado de Israel e foi o único país-membro do Conselho de Segurança da ONU que se absteve da votação da última quinta-feira. Trégua quebrada Israel fez nesta sexta-feira mais uma trégua de três horas de duração para que auxílio humanitário pudesse chegar à Faixa de Gaza.

Entretanto, segundo informou à BBC um porta-voz do Exército, Eli Isaacson, dois foguetes foram lançados de Gaza contra Israel durante a pausa nos combates. Os militares israelenses teriam respondido com fogo.

Autoridades médicas em Gaza afirmam que cerca de 800 palestinos foram mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.

Do outro lado do conflito, pelo menos 13 israelenses teriam morrido até a última quinta-feira.

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