Putin diz que Ucrânia 'agravou' crise do gás natural

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acusou a Ucrânia neste sábado de "agravar" a crise do gás, que já afeta milhares de europeus que dependem do gás russo para aquecer as suas casas no inverno, um dos mais rigorosos dos últimos anos.

"Apesar dos nossos esforços para resolver a crise, acabei de ficar sabendo que o lado ucraniano agravou-a ainda mais", diz Putin, em uma gravação transmitida pela rede de TV estatal russa.

O problema seria que um tribunal de Kiev teria aprovado uma decisão que proíbe a passagem de gás russo por território ucraniano.

Em visita a Moscou, o primeiro-ministro da República Tcheca, Mirek Topolanek, disse, por sua vez, que não vai deixar a região antes que o gás natural russo volte a circular para a Europa.

Topolanek representa a União Européia, cuja presidência rotativa foi passada aos tchecos, e participou de reuniões com Putin em mais uma tentativa de resolver a crise entre Rússia e Ucrânia Monitores Desde quarta-feira, os gasodutos que atravessam o território ucraniano estão parados, porque a Rússia acusa os ucranianos de roubarem gás.

Neste sábado, os dois países acertaram a entrada de especialistas para monitorar o fluxo de gás tanto na Ucrânia quanto na Rússia, depois que o fornecimento for normalizado.

A disputa já deixou milhares de casas européias sem aquecimento. Mais de 15 países foram afetados pelo corte no fornecimento do gás da Rússia. Entre os mais prejudicados estão Sérvia e Bósnia-Herzegovina. A crise começou há uma semana. A Gazprom acusa a Ucrânia de estar roubando 65,3 milhões de metros cúbicos de gás diariamente, mas a Ucrânia nega, alegando que problemas técnicos estão prejudicando o fluxo para a Europa. A estatal ainda acusa a Ucrânia de ter uma dívida de mais de US$ 600 milhões em contas não pagas. Os dois lados ainda não chegaram a um acordo sobre o preço do gás a ser exportado em 2009. Além da Bósnia e da Sérvia, outros países, como Romênia, República Checa, Eslováquia, Croácia, Grécia, Hungria, Macedônia e Áustria, também relatam que tiveram o fornecimento de gás completamente suspenso.

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