Acordo sobre entrega de gás empaca na Europa

O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse neste domingo que o acordo estabelecendo o envio de gás russo para a Europa através dos gasodutos da Ucrânia é nulo, uma vez que o governo ucraniano acrescentou comentários inaceitáveis para Moscou.

Segundo Medvedev, os adendos contradizem a posição de Moscou e o acordo não entra em vigor enquanto as questões não forem resolvidas.

Centenas de milhares de pessoas estão sem aquecimento na Europa - que atravessa um rigoroso inverno - por conta da disputa entre Rússia e Ucrânia sobre o gás.

A Rússia acusa a Ucrânia de estar roubando parte do gás enviado para a Europa e de dever dinheiro, e cortou este suprimento na semana passada. A Ucrânia nega as acusações. Os dois governos ainda discutem o preço a ser pago pela Ucrânia pelo gás russo, e o preço a ser pago pela Rússia pelo uso dos gasodutos ucranianos.

Retomada do fluxo No sábado, os governos russo e ucraniano assinaram o acordo mediado pela União Européia para reiniciar o envio de gás imediatamente, que previa o envio de observadores europeus, russos e ucranianos para monitorar estações de medição dos gasodutos.

A expectativa era de que os monitores europeus assumissem sua posição na manhã de domingo, mas segundo o correspondente da BBC que acompanha a missão, Gabriel Gatehouse, não parecia haver qualquer sinal de pressa entre os observadores e as torneiras permaneciam fechadas.

Um porta-voz do presidente ucraniano, Victor Yuschenko, acusou a Rússia de adiar a retomada do envio de gás e insistir na questão do pagamento das dívidas, mas não fez nenhum comentário mais específico.

Segundo Gatehouse, a Rússia teria suspendido o acordo por conta de observações feitas pelo governo ucraniano no documento que dizem respeito à acusação de roubo de gás e em relação às dívidas da Ucrânia com a Rússia.

A Comissão Européia, que negociou o acordo, afirma que os adendos feitos pelo governo ucraniano não mudam o acordo e que não há razão para adiar ainda mais a entrega de gás. Na noite de domingo, agências de notícias informaram que o chefe da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso e a primeira-ministra ucraniana, Yulia Tymoshenko, concordaram em examinar as queixas russas sobre o acordo.

A Naftogaz, empresa estatal de energia ucraniana, disse à BBC que depois que a Rússia abrir as torneiras, serão necessárias pelo menos 36 horas até que o gás chegue à Europa.

A Rússia cortou o suprimento de gás para a Ucrânia no dia 1 de janeiro. A questão do preço, que provocou o corte, continua não resolvida.

A União Européia importa um quarto de seu gás da Rússia, e 80% deste volume passa pela Ucrânia.

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