Rússia promete retomar envio de gás na terça-feira

A Rússia prometeu nesta segunda-feira retomar o fornecimento de gás à Europa por meio de gasodutos que passam pela Ucrânia a partir da manhã de terça-feira.

O anúncio foi feito pela presidência checa de União Européia na manhã desta segunda-feira e, mais tarde, pela empresa de gás russa, Gazprom, por meio de seu vice-diretor executivo, Alexander Medvedev. "Se não encontrarmos obstáculos, de acordo com os documentos assinados, e vamos presumir que não haverá obstáculo, o fornecimento de gás será retomado, o tráfego será retomado da Rússia para a Ucrânia às oito horas, horário (do oeste) europeu (cinco horas da manhã, horário de Brasília), e todos esperamos que aconteça amanhã (terça-feira)", afirmou.

A Rússia cortou o suprimento de gás para a Ucrânia no dia 1 de janeiro. De acordo com o comunicado divulgado pela presidência checa da UE, a promessa do governo russo foi feita depois da assinatura de um acordo sobre o monitoramento do fornecimento de gás vindo da Rússia. "Depois de assinar o acordo, o lado russo prometeu que reiniciará o fornecimento, se não houver obstáculos, na manhã de terça-feira", disse Martin Ríman, ministro checo da Indústria e Comércio. A Gazprom, empresa de gás russa, afirmou que o retorno completo do abastecimento pode levar algum tempo. Segundo analistas, teoricamente o fornecimento poderá voltar ao normal dentro de 24 horas, mas é mais provável que isto ocorra entre 36 e 48 horas.

Consumidores Segundo a correspondente da BBC para a Europa em Bruxelas Oana Lungescu, a causa da crise - a discussão entre Rússia e Ucrânia sobre o preço do gás - ainda precisa ser resolvida.

O vice-primeiro-ministro da Ucrânia, Grygory Nemyria, acredita que este seja o "fim de uma guerra de seis dias entre a Gazprom e os consumidores da União Européia, mas ainda temos que nos esforçar para encerrar a guerra entre a Gazprom e os consumidores ucranianos".

"O governo ucraniano contribuiu muito para garantir que a Gazprom retome o fornecimento de gás e esperávamos que isto acontecesse ontem (domingo)." "Mas, infelizmente, devido à oposição do lado russo, foi preciso mais um dia. Então, esperamos que a discussão de hoje (segunda-feira) leve à retomada do fornecimento", afirmou.

Corte Centenas de milhares de pessoas foram afetadas pelo corte de gás e ficaram sem aquecimento na Europa - que atravessa um rigoroso inverno - por conta da disputa entre Rússia e Ucrânia sobre o gás. A Rússia acusava a Ucrânia de estar roubando parte do gás enviado para a Europa e de dever dinheiro. A Ucrânia nega as acusações. Os dois governos ainda discutem o preço a ser pago pela Ucrânia pelo gás russo, e o preço a ser pago pela Rússia pelo uso dos gasodutos ucranianos. A União Européia importa um quarto de seu gás da Rússia, e 80% deste volume passa pela Ucrânia.

Para o embaixador especial de Segurança Energética da União Européia, Vaclav Bartuska, falando em nome da presidência checa do bloco, a lição a ser aprendida depois deste incidente é que a Europa precisa trabalhar junta.

"A Europa precisa fazer mais para garantir seu fornecimento de energia. E precisamos agir de forma conjunta, pois, se conseguimos retomar o fluxo de gás para a Europa, não será porque os checos são espertos ou porque os representantes são bons. Mas, principalmente, porque conseguimos manter todos os 27 países da União Européia junto", disse.

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