ONU acusa Israel de não proteger crianças em Gaza

O Comitê dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou Israel de mostrar um "claro desrespeito" pela proteção de crianças em sua operação militar na Faixa de Gaza.

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, o comitê diz que mais de 40% dos mortos no conflito são mulheres ou crianças, apesar de Israel ter assinado um protocolo da ONU que condena ataques em locais onde possa haver presença de menores de idade.

"O Comitê dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas está profundamente preocupado com os efeitos devastadores que o atual conflito militar em Gaza tem sobre as crianças", diz o documento, divulgado em Genebra.

Segundo o comitê da ONU, os ataques terão graves efeitos emocionais e psicológicos em toda uma geração de menores em Gaza.

Funcionários dos serviços de saúde palestinos dizem que pelo menos 950 pessoas foram mortas e mais de 4,2 mil ficaram feridas desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro. Israel diz que 13 israelenses morreram - três deles civis e 10 soldados.

Como Israel não permite a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza, não é possível confirmar os números de mortos e feridos.

O grupo palestino de defesa dos direitos humanos Al-Mizan, que atua em Gaza, afirmou que mais de 90 mil pessoas deixaram suas casas para tentar fugir dos bombardeios israelenses. Cruz Vermelha Também nesta terça-feira, o presidente da Cruz Vermelha Internacional, Jakob Kellenberger, visitou a Faixa de Gaza, durante uma trégua de três horas no conflito entre Israel e militantes palestinos, para avaliar a extensão da crise humana no território.

Kellenberger foi até o principal hospital do território e também se encontrou com funcionários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. "Eu queria ver esse hospital e só posso dizer que isso é realmente muito triste e dói muito ver o que eu acabei de ver", disse Kellenberger na visita ao hospital.

Em entrevista à BBC, um porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse que Israel está tomando "enorme cuidado" para evitar a morte de civis em Gaza.

"Nós divulgamos um vídeo ontem (segunda-feira) de pilotos em operações, em missões, em que eles abortaram a missão porque podiam ver civis na área a ser atacada. Nós não atiramos contra civis inocentes, ponto final", disse Regev.

Esforços diplomáticos Nesta terça-feira, 18º dia de combates, tropas israelenses entraram em confronto com militantes palestinos nos subúrbios da Cidade de Gaza, segundo testemunhas. Israel também realizou mais ataques aéreos contra alvos em Gaza. Apesar da ofensiva israelense, militantes palestinos continuam a lançar foguetes contra o território de Israel. Israel afirma que a ação militar em Gaza tem o objetivo impedir que os militantes continuem lançando foguetes contra seu território.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que a operação militar vai continuar até que os militantes parem de lançar foguetes e que o contrabando de armas para dentro da Faixa de Gaza seja interrompido.

No Cairo, continuam os esforços diplomáticos para tentar um cessar-fogo em Gaza. O presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o monarca saudita, Abdullah, mantiveram reuniões para discutir o conflito.

No entanto, o Ministério das Relações Exteriores de Israel disse que não há garantias de que o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, respeitaria um acordo de cessar-fogo.

Um porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, disse que qualquer acordo deve incluir o fim dos ataques israelenses, a completa retirada de suas forças da Faixa de Gaza e o fim do bloqueio imposto ao território, por meio da abertura de passagens na fronteira.

Ainda nesta terça-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, chega ao Oriente Médio para um giro que deve incluir encontros com líderes de Israel, Egito, Jordânia e Síria, além de uma reunião com o presidente palestino Mahmoud Abbas na Cisjordânia.

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