Conflito em Gaza causa guerra de propaganda na internet

Uma guerra de propaganda está ocorrendo na internet entre partidários de Israel e dos palestinos devido ao conflito na Faixa de Gaza.

Ativistas estão desfigurando sites, assumindo controle de computadores e fechando páginas de grupos no Facebook.

No dia 7 de janeiro, hackers partidários dos palestinos desfiguraram várias páginas, incluindo um site do Exército dos Estados Unidos e o site da Assembléia Parlamentar da Otan.

Os hackers, que se identificaram como "Agd_Scorp/Peace Crew", substituíram páginas por um espaço em branco com uma conhecida fotografia de um menino atirando pedras contra um tanque israelense ao centro.

"Parem os ataques, Israel e EUA! Nações amaldiçoadas!", escreveram os hackers.

Dwight Grisworld, chefe de tecnologia da Assembléia Parlamentar da Otan, afirmou que os hackers continuaram tentando acessar o site vários dias depois do primeiro ataque, mas não conseguiram chegar a nenhum dos servidores internos da Assembléia.

"O fato é que é sempre um jogo de gato e rato", afirmou. "Não existe sistema impenetrável." Notícias e banco Os hackers também assumiram o controle de um site de notícias israelense, o ynetnews.com, e do banco Israel Discount Bank.

Eles redirecionavam os visitantes destas páginas para um site que mostrava mensagens contra Israel e imagens de abusos de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.

Em outro ataque, um site chamado www.help-israel-win.com pedia a visitantes que baixassem e instalassem um arquivo - que, na verdade, permitia que outras pessoas assumissem o controle do computador.

Segundo Yoav Keren, diretor-executivo da empresa Domain The Net, que registra nomes de domínios na internet, o número de ataques a computadores em Israel aumentou muito nos últimos meses.

"Está claro que isso é resultado do que está acontecendo na Faixa de Gaza", disse Keren. "Vemos isso como parte de uma guerra." Páginas de árabes israelenses e partidárias dos palestinos também sofrem com ataques.

Em entrevista ao jornal israelense Haaretz, o gerente da página de notícias Arabs48.com, Az-a-Din Badran, afirmou que o site estava "sofrendo constantemente com ataques de hackers".

Facebook A batalha também chegou à página de relacionamentos Facebook, onde dezenas de grupos relacionados ao conflito na Faixa de Gaza apareceram.

O confronto começou quando hackers que usavam o logotipo da Força de Defesa dos Judeus na Internet (JIDF, na sigla em inglês) assumiram o controle de uma série de grupos.

Eles retiraram o conteúdo e substituíram com declarações de apoio à política israelense e críticas ao grupo militante palestino Hamas.

Andrew Silvera, ativo em diversos grupos partidários dos palestinos no Facebook, foi um dos atingidos. Ele afirma que sua conta foi atacada depois que respondeu a um pedido de outro usuário do Facebook, que o convidou para ser administrador de um grupo semelhante.

"Assim que cliquei, percebi que tinha algo errado com o link", disse Silvera. "Não era como um grupo normal do Facebook. Minha conta desapareceu. Eles seqüestraram minha conta." Já Francesco Paris iniciou um grupo no Facebook criticando o suposto comportamento do JIDF na internet, depois de notar que um grupo que ele queria participar tinha sido afetado.

"Notei que todos os painéis de discussões tinham sido derrubados, a descrição do grupo tinha sido mudada para 'fechado'", diz Pariz. "A foto mostrava a (imagem da) 'Força de Defesa dos Judeus na Internet'." Depois de notar que o conteúdo de diversos outros grupos tinha sido alterado, Paris iniciou seu próprio grupo e, segundo ele, começou a receber mensagens do Facebook que tentavam conseguir informações sobre sua conta.

Plataforma Um porta-voz do JIDF disse à BBC que a entidade é um grupo de defesa que luta contra o anti-semitismo na internet e não confirmou se grupos do Facebook foram fechados por pessoas afiliadas ao JIDF.

"Não somos hackers. Não estamos envolvidos com phishing. Não desrespeitamos a lei pelo nosso trabalho", afirmou o porta-voz.

O porta-voz acrescentou que alguns grupos descobertos no Facebook incluíam charges anti-semitas, imagens de pessoas mortas ou feridas. E também criticou o Facebook por permitir este tipo de material.

"Apesar de milhares de nossos membros relatarem material ofensivo, o Facebook parece não tomar providências", afirmou.

Um porta-voz do Facebook afirmou que o site de relacionamentos não está "do lado de ninguém".

"Somos apenas uma plataforma, e as discussões que estão ocorrendo online também estão ocorrendo offline", disse.

O porta-voz do site afirmou que ficou sabendo de ataques de phishing contra grupos. Neste caso, disse que o Facebook "vai refazer a senha das contas dos usuários e eles deverão assumir o controle novamente".

Esperado Para o professor Peter Sommer, especialista em crimes na internet da London School of Economics, profissionais do setor de segurança já esperavam este tipo de ataque.

"Está ocorrendo nos últimos dez anos. É uma forma óbvia de protestar", afirma. "Bem mais atraente do que ir para um aeroporto ou para a frente de uma embaixada, onde a pessoa pode ser presa." Sommer acrescenta que sites como o Facebook geralmente são seguros "em um nível fundamental", mas os usuários precisam assumir a responsabilidade pela segurança de suas próprias contas.

Grisworld, da Assembléia Parlamentar da Otan, admite que, apesar de constrangedoras, as mensagens dos hackers na página da organização não são tão preocupantes.

"É bem mais preocupante se alguém invade e não deixa uma mensagem grande como esta", afirmou.

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