Presidente sírio diz que ofensiva aumenta extremismo em Gaza

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, afirmou nesta quarta-feira que a ofensiva israelense em Gaza pode aumentar o extremismo islâmico no Oriente Médio e que um acordo de cessar-fogo na região só pode ser atingido se Israel concordar em acabar com o bloqueio contra a Faixa de Gaza.

"Os efeitos da guerra são mais perigosos do que a própria guerra, semeando as sementes do extremismo e do terror na região", disse Assad à BBC.

Em entrevista concedida ao editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, Assad afirmou que um cessar-fogo sustentável em Gaza só poderá ser atingido se as condições dos dois lados do conflito forem contempladas.

De acordo com o líder sírio, a condição para que os grupos militantes palestinos parem de lançar foguetes contra Israel é que o país respeite integralmente a trégua - o que, segundo ele, não aconteceu no passado - e que acabe com o bloqueio contra Gaza.

Assad ainda afirmou que o grupo militante palestino Hamas deve estar presente em qualquer negociação sobre a paz na região.

"O Hamas é influente. Isso é o mais importante", afirmou. "Então, eles têm que participar de qualquer ação (de paz) como condição para que ela seja bem-sucedida." Resistência Assad é considerado um importante ator na região e seu país abriga o líder do Hamas, Khaled Meshaal.

"Nós não atingimos a paz ainda porque Israel nunca cedeu desde o início das negociações, em 1991", disse o presidente sírio. "Assim, quando você não aceita os termos de paz, então tem que esperar resistência." "As pessoas ficaram desesperadas quando a Organização das Nações Unidas (ONU) não alcançou nada nas negociações de paz, então a resposta normal (delas) é a resistência", acrescentou.

O presidente sírio se disse, no entanto, a favor do fim do contrabando de armas pela fronteira de Gaza com o Egito, uma das principais demandas de Israel, mas afirmou que isso seria apenas parte de "uma solução maior" para o conflito no Oriente Médio.

Obama Bashar Al-Assad também criticou os líderes israelenses e afirmou que a política doméstica do país produziu governos "fracos", incapazes de empreender um processo de paz.

Segundo o líder sírio, o governo americano de George W. Bush também falhou ao desempenhar o papel de intermediário nas negociações.

Assad, no entanto, se disse "esperançoso" com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que toma posse no próximo dia 20 de janeiro.

"(Obama) precisa achar uma solução para o problema do Iraque, com a retirada do país, em paralelo com um processo politico", afirmou. "Ele também precisa se envolver seriamente e diretamente com o processo de paz no Oriente Médio." "Ele será bem-vindo todas as vezes que quiser vir (à Síria) para cooperar com essas quastões", acrescentou Assad.

Conflitos Os conflitos entre tropas israelenses e militantes palestinos continuaram nesta quarta-feira nos arredores da Cidade de Gaza, com registros de explosões e trocas de tiros.

Informações dão conta de que os conflitos prosseguiram apesar do início da trégua de três horas para que palestinos comprem gêneros de primeira necessidade e para que auxílio humanitário chegue à região.

Israel afirmou que mais três foguetes foram lançados a partir do território libanês contra a cidade de Kiryat Shmona, no norte do país.

Quatro foguetes já haviam sido lançados contra Israel a partir de território libanês na semana passada, aumentando temores de que o conflito se espalhe pela região.

Estratégia Israel também atingiu 60 alvos na Faixa de Gaza nesta madrugada, destruindo cerca de 35 túneis usados para o contrabando de armas no sul da região e um cemitério na Cidade de Gaza.

Analistas afirmam, no entanto, que o país parece estar evitando um ataque em massa contra a Cidade de Gaza.

Segundo eles, combates intensos na zona urbana poderiam causar muitas mortes dos dois lados, o que seria um risco político grande a menos de um mês das eleições no país.

Fontes ouvidas pela BBC também afirmam que há sinais de divisões no gabinete israelense, com o ministro da Defesa, Ehud Barack, defendendo uma diminuição na ofensiva e o primeiro-ministro, Ehud Olmert, querendo pressionar com mais ataques.

Em meio à ofensiva israelense em Gaza, uma nova gravação com uma voz atribuída ao líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, foi divulgada nesta quarta-feira.

Na gravação, Bin Laden convoca uma "guerra santa" para combater a ofensiva de Israel. A autenticidade da gravação, publicada por sites islâmicos, não pôde ser verificada.

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