Bombardeio israelense atinge sede da ONU em Gaza

A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que o prédio da sede de sua Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA) foi atingido por um bombardeio israelense na Faixa de Gaza na manhã desta quinta-feira.

A UNWRA disse que cinco bombas atingiram o prédio, ferindo três pessoas. A agência suspendeu suas operações no território palestino.

Em Tel Aviv, após se reunir com representantes do governo israelense, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse revoltado com o ataque.

Ele disse que ouviu do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, que o bombardeio foi um "erro grave".

Segundo informações do jornal israelense Ha'aretz, um outro ataque aéreo atingiu um hospital na Cidade de Gaza, o Al-Quds. Não há informações sobre mortes ou feridos neste incidente. Avanço O ataque ao prédio da ONU ocorre após uma noite de intensificação da ofensiva israelense, de acordo com jornalistas da BBC na região.

Rushdi Abu Alouf, que trabalha na Cidade de Gaza, disse que está no edifício onde atuam os jornalistas locais, que foi cercado por tanques israelenses.

Ele afirmou ainda que, na noite de quarta-feira, soldados e veículos armados avançaram pelo bairro de Tellilawah, uma área densamente povoada no sudoeste da cidade, e houve violentos confrontos com militantes palestinos.

Além disso, o Exército israelense confirmou ter atacado 70 alvos na Faixa de Gaza durante a noite.

Fontes dos serviços de saúde de Gaza dizem que pelo menos de 1.028 pessoas morreram desde o início da ofensiva, há 20 dias - cerca de 30% delas são crianças.

'Trancados' Ban Ki-moon afirmou que o sofrimento em Gaza chegou a um "ponto insustentável".

O enviado da ONU para os territórios palestinos, Richard Falk, acusou Israel de crueldade por ter "trancado" civis em uma zona de conflito e não ter permitido a saída deles como refugiados.

O grupo internacional Free Gaza ("Libertem Gaza", em tradução livre) disse que um barco enviado ao território palestino, carregado de medicamentos, foi interceptado por cinco navios da Marinha israelense ainda em águas internacionais e obrigado a voltar para o Chipre, de onde tinha partido na quarta-feira.

Na quarta-feira, testemunhas disseram à BBC e à organização de defesa dos direitos humanos israelense B'tselem que soldados israelenses estão atirando em civis que tentam fugir das áreas de conflito, mesmo quando acenam com "bandeiras brancas".

Segundo um dos relatos, soldados teriam atirado em duas mulheres que deixaram sua casa carregando peças de roupa branca, em um grupo que tinha ainda crianças pequenas.

A BBC também conversou com uma família que diz estar isolada em sua casa há dez dias e cujos membros sofreram disparos quando tentaram sair para buscar água e alimentos, mesmo durante as três horas diárias de trégua estabelecidas por Israel. Pelo menos 17 crianças com idades entre seis semanas e 15 anos estariam no local.

Outra família perdeu quatro pessoas - inclusive uma mulher e um idoso - quando tentou sair de casa após ouvir um alerta do Exército israelense para que fosse a uma escola próxima.

O governo israelense nega as acusações, dizendo que elas não têm fundamento.

Como jornalistas estrangeiros e observadores de defesa dos direitos humanos estão impedidos por Israel de entrar em Gaza, não é possível confirmar os relatos nem confirmar o número de mortos.

Negociações Nesta quinta-feira, o principal negociador de paz israelense, Amos Gilad, chega ao Cairo para conversas com o governo egípcio. Na quarta-feira, representantes do Hamas estiveram no país e disseram ter avançado nas negociações.

Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Tim Franks, Israel quer ouvir mais detalhes sobre uma proposta dos governos egípcio e americano para selar a fronteira entre Gaza e o Egito e evitar o contrabando de armas para dentro do território palestino.

Já o Hamas fez algumas exigências para concordar com um cessar-fogo, como a rápida retirada das forças israelenses e a reabertura das fronteiras de Gaza com Israel, diz Franks.

Outros diplomatas envolvidos nas negociações estão preocupados também com a situação humanitária na Faixa de Gaza, mesmo após um eventual cessar-fogo.

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